Cartas a HN – 15

Francisco Martins Rodrigues

Carta a HN – 15

17/10/2000

Caro Camarada:

Tive pena de não nos termos encontrado quando por aqui passaste. A situação quanto à sessão é a seguinte: no seguimento de uma série de contactos, concluímos que a sessão-debate a propósito dos 15 anos de publicação da PO tem que ser desdobrada em duas: a primeira é no dia 4 de Novembro, na Biblioteca-Museu República e Resistência (Estrada de Benfica. 419) com a participação de João Bernardo (anarco-comunista) e de João Ricardo, um trotskista brasileiro. Não se pode dizer que não somos pluralistas! Espero que dê um debate animado. Em 2 (ou 9) de Dezembro faremos outra sessão, para que convidámos o Samir Amin e o Tom Thomas. Será completada com um espectáculo à noite: Zé Mário Branco, etc. Claro que contamos contigo, só não sei se podes vir já a esta primeira sessão ou só à segunda. Se puder vir daí mais alguém, como se tinha falado, tanto melhor.

A nossa situação financeira continua na mesma, temos em vista uma hipótese de vender a empresa gráfica para pagar algumas dívidas e continuar a fazer a PO e os livros em bases (ainda) mais modestas. Mas parar está fora de questão. Escrevi à livraria que me indicaste, estou à espera de resposta. A PO, atrasada como de costume, sai para a semana. O artigo que mandaste ficou de fora desta vez, não te chateies mas houve bastantes colaborações e algumas grandes que tiveram que ser cortadas ao meio por não caberem. Recebeste os livros que tinhas pedido? Intelizmente ainda não tive ocasião de pegar no livro de Osborne que mandaste. Estão para sair mais dois títulos da Dinossauro, que depois te enviarei, um do Samir Amin e outro do Thomas. E o teu programa de rádio, como vai?

Tenho uma dúvida que peço esclareças: as POs atrasadas que pediste há meses, cheguei a enviá-las ou não?

Para já. é tudo. Vamos amanhã a uma manifestação anti-sionista por causa dos massacres na Palestina. O MV diz-me que participou em duas em Paris. E aí, houve algo de jeito? Um abraço

 

Cartas a HN – 3

Francisco Martins Rodrigues

Carta a HN – 3

7/7/1995

Caro Camarada:

Deu-me prazer a nossa conversa telefónica e a tua carta de 30/6, por ver que apreciaste a P.O. e que os livros da Dinossauro te levaram a pôr em paralelo as lições da Comuna de Paris e da nossa tímida “revolução” de 1974/75. Fizemos seguir para o teu endereço a primeira parte da encomenda feita telefonicamente pelo Z: 5 exemplares de cada. À medida que vos for necessário, enviaremos mais. Não achamos seguro mandar grandes encomendas duma só vez porque às vezes extraviam-se. Da P.O. 50 é que, de momento, não há mais exemplares – esgotou-se, mas ainda receberemos devoluções da distribuidora. Junto também a factura por este primeiro envio, que peço passes ao Z. Vocês irão saldando a despesa à medida que cobrarem dos compradores.

Quanto ao teatro, ainda não consegui falar com nenhuma das pessoas. Para já, aqui vão as moradas:

Cândido Ferreira (..)

Helder Costa a/c Teatro A Barraca (…)

 João Mota a/c Teatro da Comuna (…)

 Jose Carretas (…)

João Brites a/c Teatro O Bando (…).

Se quiseres, podes dizer que te diriges a eles por sugestão minha. Acho que terão boa vontade. Entretanto, se conseguir contactar algum pelo telefone, falo-lhe já no caso.

Por agora, é tudo. Quando houver algo de concreto acerca de Outubro, escrevo.  

Um abraço para ti, outro para o Z.

Cartas a CF – 4

Francisco Martins Rodrigues

Carta a CF – 4

20/12/1990

Caro Camarada

Respondo à sua carta de 16 de Outubro. Não o fiz antes porque estava em falta quanto à promessa de lhe mandar cópias de “Avantes” pare a sua colecção. Posso agora informá-lo de que segue por correio separado uma primeira encomenda com fotocópias, algumas de leitura difícil mas foi já assim que  me chegaram à mão. Dentro de uma semana ou duas irá outra encomenda. Quanto a despesas de remessa não se preocupe. Vou-lhe mandar a minha lista de faltas e agradecerei que você me retribua…

Quanto a eu escrever sobre as minhas vidas passadas, não é a primeira pessoa a insistir comigo mas ainda não arranjei disposição mental para isso. Desconfio que será só quando estiver todo tolhido pelo reumático (o que se calhar já não faltará muito). 

Ainda não me chegou às mãos nenhum dos livros de que fala na sua carta (Valtin e Campesino). Terei muito interesse em conhecê-los.

Com as minhas saudações

Carta a MB – 4

Francisco Martins Rodrigues

Cartas a MB (4)

 11/6/1991

  Camarada M:

Muito     grato      pela        prontidão com que atendeste o meu pedido do livro, que Já está em meu poder, e também pela oferta que fazes. Renovei a tua assinatura por mais 6 números e meti o resto como apoio.

Fico muito satisfeito pelas boas notícias quanto à tua saúde, calculo o peso que te saiu de cima. Pela minha parte, corre tudo bem, fora o reumático que as vezes ataca mas ando a fazer fisioterapia.

Registei as tuas notas sobre a situação na Inglaterra, com vista a publicação na P.O. Só é pena que o próximo nº só sai em fins de Setembro e até lá possivelmente ficam desactualizadas. Se durante as férias quiseres escrever algumas impressões ou observações será óptimo. E se vieres a Portugal não te esqueças de me procurar, já não trabalhamos no mesmo local, mas basta ligares para minha casa (…). Um grande abraço

Cartas a MB (3)

Francisco Martins Rodrigues

Carta a MB – 3

  30/4/1991

Caro M:

Desde Agosto não voltámos a escrever-nos. Julgo que terás recebido em ordem o dinheiro dos livros. Agora queria-te pedir, se não fosse muita maçada, um outro livro, que aqui não se encontra e que me é muito necessário para um artigo que ando a preparar:

Farewell to the Working Class. André Gorz, London, Pluto Press, 1932

Agradeço desde a atenção que possas dar ao assunto. Aqui te mando junto um folheto que editámos a propósito do 25 Abril/1º Maio. Tens recebido a PO? Ontem fui à televisão, a um programa sobre o 25 de Abril, com o Rosa Coutinho, Zenha, um faxo Múrias, etc. Meti umas bocas mas fiquei frustrado porque as oportunidades de falar foram escassas e não as aproveitei a fundo. Amanha lá vamos à manifestação.

E por aí? Como vais de saúde? 0 que tens feito? Se vieres cá no Verão, espero que me procures para conversarmos um bocado. Um abraço

Cartas a PA – 3

Francisco Martins Rodrigues

Carta a PA (3)

13/3/1985

Caro PA:

Tenho aguardado em vão notícias tuas. Não sei se o teu silêncio se deve só aos afazeres profissionais e familiares ou se significa que tens reservas ou discordâncias com o projecto em que nos lançámos. Agora que soube pelo MV a tua nova morada, resolvi voltar a escrever-te dando notícias. Junto cópia da carta que te enviei em 4 de Janeiro para a antiga morada e que não sei se chegaste a receber.

0 nosso projecto deu um passo em frente com a constituição dum agrupamento, em assembleia que teve lugar em Lisboa nos dias 2, 3, 9 e 10 de Março. Formámos a Organização Comunista “Política Operária” (será este o nome da revista que vamos editar) e elegemos uma direcção de sete membros, de que faço parte. Aprovámos um Manifesto, Estatutos e outros documentos que te enviarei brevemente, para tua apreciação.

0 nosso objectivo central como grupo é a edição da revista, que será mensal ou bimensal, conforme as possibilidades, e que queremos pôr na rua a curto prazo. Caso estejas de acordo com a orientação geral, de que te poderás aperceber pelos documentos que vais receber em breve, esperamos poder contar com a tua colaboração, visto que a revista não se apresenta com vínculos â organização e está aberta a todas as colaborações que se enquadrem na sua linha geral.

O ideal para nós seria que tu fosses o correspondente da revista em Londres, enviando-nos com a regularidade possível notícias e comentários sobre o movimento revolucionário e anti-imperialista em Inglaterra, transcrição de artigos aí publicados, etc. Além disso, como é evidente, gostaríamos de receber artigos teus sobre quaisquer temas dentro do âmbito da revista. Também nos interessa muito tudo o que nos possas mandar em livros, revistas, jornais, recortes, etc. Esta hipótese da tua colaboração na revista é para nos o mais importante e pedimos que nos digas se podemos contar com ela.

0 meu livro “Anti-Dimitrov” está para sair brevemente, foi custeado por uma subscrição aberta aqui entre camaradas e amigos. Como não sei se extraviou a folha de subscrição que te mandei em Janeiro, envio-te junto uma outra, para o caso de quereres e poderes contribuir. O livro será vendido a 250 escudos. Diz por favor se queres que te mande e se podes colocar aí alguns exemplares.

E por hoje é tudo. Fico a aguardar notícias tuas. Se por acaso vieres a Portugal, gostarei muito de conversar directamente contigo.

Um abraço