Cartas a MV – 17

Francisco Martins Rodrigues

Carta a MV (24)

8/8/1989

Caríssimo M.:

Tenho recebido ultimamente um rio de encomendas da tua parte, o que é muito agradável. Só fico doente quando tu insistes em escrever para te mandar a P.O. quando nós a expedimos pontualmente cada vez que sai. Que número não recebeste? O 18? O 19? O 20? Será que o carteiro, não encontrando ninguém em casa, deita fora a encomenda? Queres que seja expedida para outra morada? Agora o próximo nº vai sair em fins de Setembro, princípio de Outubro. Diz se queres que vá para outro lado. O que te parece a revista?

Temos consciência de que tem evoluído pouco, tem dito poucas coisas novas e vamos fazer um esforço maior nesse sentido, O nosso carácter é de revista de propaganda e não ganhamos nada em ser uma espécie de revista-jornal. Ten­cionamos manter o figurino actual, mais ligeiro que o anterior, mas procurar dar mais conteúdo às secções, fugir ao estilo informativo que não nos compete. Fizemos recentemente um debate inconclusivo so­bre problemas da revolução russa e estou a preparar um artigo nessa base, talvez para o próximo nº. A nossa vida continua dentro de parâ­metros estreitos, numa área de influência reduzida, a participação na FER com os trotskistas foi uma tentativa para nos tornarmos mais conhecidos e alargarmos a influência mas estava de facto “acima das nossas posses” e fomos forçados a desistir.

Quanto à questão que colocas sobre a homenagem no próximo Al­batroz ao militante kanaka que matou Tjibou[i], só sei o que li na im­prensa e no recorte que me mandaste. Parece-me fora de dúvida a jus­teza disso, para trazer ao de cima toda a podridão do processo dos acordos neocoloniais. Mas só tu no terreno francês podes medir os reflexos e a maneira de tratar o problema. Receias que produza um isolamento em relação aos meios de esquerda dai? As tuas impressões sobre a jornada de 8 de Julho na Bastilha estão interessantes e pensamos publicar na próxima P.O., embora saia com atraso. Escreve mais. O boneco também irá sair, só estamos a matar a cabeça em como traduzir a tua piada “A bas la dette! A bas la disette!“.

Escreveu-me um moço francês, PK, a pedir contacto para ti. Dei-lhe a morada da R, não sei se fiz mal. Queres escrever-lhe? Era do Partisan. Um grande abraço e continua a mandar papel

—————-

[i] Djoubelly Wea, militante independentista kanaka da Nova Caledónia que, em 5 de Maio de 1989, executou os líderes Tjibaou e Yeiwene do FLNKS,  movimento local que negociava com os colonos franceses uma solução neocolonial para a nação kanaka. (Nota de AB).

Cartas a MV – 16

Francisco Martins Rodrigues

Carta a MV (21)

8/5/1989

Caro M:

Respondo às tuas cartas de 30/3 e 16/4. Estranho muito não teres mais uma vez recebido a P.O. Será que não está ninguém em casa da R durante o dia e o correio deita a encomenda fora? Enviei-te mais 4 ex. da PO 18 e 10 ex. da PO 19, espero que já tenhas recebido, assim co­mo a minha carta de 30/3 e alguns papéis da PER.

A candidatura está a andar. Compreendo que seria difícil a tua deslocação. Se pudesses en­viar-nos imagens (vídeo) da vida dos imigrantes aí para incluirmos no tempo de antena da TV se­ria bem bom. Quaisquer sugestões ou tópicos para metemos nos programas rádio e TV serão de grande valor, mas seria precise mandares com urgência.

Tenho recebido livros e jornais teus. O ZM telefonou há dias, está tudo bem mas difi­culdades financeiras impedem-no de ir a Paris.

A tradução francesa do Anti-Dimitrov está pronta, vou fazer uma revisão e depois edita-se. Tudo tão lento! Quando isto acalmar escrevo uma carta mais detalhada. Tivemos aqui um encontro com camara­das da Voie Prolétarienne. Confusos, pareceu-me.

Carta a MV (22)

15/5/1989

Camarada:

Um acrescento à minha carta de dia 8. Peço-te que nos informes rapidamente se tiveste conhecimento de que tenha estado alguma banca em nome da FER na festa da “Lutte Ouvrière” que se realizou em 15, 14 e 15 (acaba hoje). Isto porque nós aqui afirmámos não que­rer participar mas não temos a certeza de que os grupos trotskistas com que estamos a cola­borar na FER não nos preguem a partida de ir usar o nome da FER. Diz alguma coisa rapida­mente se puderes. E se puderes mandar algum vídeo sobre situação dos imigrantes em França mete-o no correio sem demora, para ver se ain­da incluímos no programa que estamos a prepa­rar para a campanha eleitoral.

Vamos fazer aqui um almoço anti-Salazar no dia 28 de Maio, está a haver uma recupera­ção descarada do fascismo. O Varela Gomes dis­cursa, eu se calhar também. Queres cá vir?

Um abraço

 Carta a MV (23)

14/6/1989

 Caro Camarada:

Só uma carta breve para te informar da nosso saída da frente da Esquerda Revolucionária que disputa as eleições ao Parlamento Europeu. Foi uma decisão difícil porque sabemos o descrédito que arrasta em torno da esquerda, mas não tivemos outra alternativa porque os nossos só­cios trotskistas são desleais em extremo e estavam a violar todos os acordos assinados, procurando servir-se de nós como muleta para a propaganda do seu “partido” em formação e para apresentar uma oposição moderada, reformista, que não correspondia nada ao que pretendíamos desta campanha. Como não tínhamos força para os meter na ordem (a Frente é legalmente propriedade deles), tivemos que sair. Envio comunicados e em breve poderás ver na PO 20 a análise que fazemos do incidente.

De resto, a nossa “guerra” conti­nua. E tu? Não tens mandado jornais nem livros. Não te esqueças de nós. Um abraço

 

 

 

Cartas a MV – 15

Francisco Martins Rodrigues

Carta a MV (20)

30/3/1989

Caro Camarada:

Julgo que tenhas recebido a minha carta de 16/2, assim como as 1C’ 16, 17 e 16. Recebi o Albatroz (pouco político!!), Monde e outros jornais que tens mandado, tão vale a pena gas­tares dinheiro com o “Courant Alternatif, o “Communisme” c a “Critique Communiste”, já sei o que são.

A última novidade 6 que nos metemos numa frente com os trotskistas mais esquerdistas para concorrer às eleições do Parlamento Euro­peu. Seguem recortes, caso ainda não tenhas lido. Estamos a organizar a lista de candidatos, pro­grama, um comício na Voz do Operário para 24 de Abril, etc. queres vir até cá por três meses fazer campanha? Seria bem bom, acho que se te arranjava ocupação e rendimento para sobrevive­res. O objectivo desta candidatura, é claro, é exclusivamente de denúncia das instituições eu­ropeias e portuguesas, ataque ao governo, etc. Ainda não temos cabeça de lista. Escreve e manda novidades. Um abraço

 

 

Agruras da esquerda brasileira

Francisco Martins Rodrigues

Agruras da esquerda brasileira

A tradicional e salutar abertura à crítica reinante no PT confirma-se neste número da sua revista oficial, Teoria & Debate, agora a cumprir dez anos de publicação. A pouco mais de um ano de distância da eleição em que Lula disputará de novo a presidência, é visível a ansiedade nos meios partidários acerca do desfecho de uma aposta em que o PT joga as últimas esperanças de se afirmar como partido credível de governo. No centro dos debates a questão de saber se o PT deve ampliar mais o leque de alianças a sectores do PSDB e do PMDB, os dois grandes partidos do centro, ou se deve, pelo contrário, buscar alargar a sua base eleitoral própria dedicando-se com mais afinco à mobilização das massas pobres.

Todavia, nesta polémica parece não haver consciência, mesmo da parte dos “radicais”, do plano inclinado em que o PT mergulhou ao pôr-se como meta a conquista de posições sucessivamente mais altas no aparelho de Estado burguês. O mais que se consegue obter é a confissão algo eufemística de um dirigente de que “o grande problema que vivemos hoje no PT é que não estamos conseguindo fazer acompanhar o crescimento eleitoral e institucional pelo necessário avanço na coesão programática, pela manutenção da ética interna, pelo reforço da identidade ideológica”.

Um diagnóstico bem mais severo – e ao que nos parece mais certeiro – dos males do partido é traçado na revista Em Tempo, órgão da tendência Democracia Socialista (trotskista). A esquerda do PT, lê-se num documento aí reproduzido, “não soube compreender o quanto o poder real do partido já se havia deslocado das estruturas normais de direcção para centros autónomos em torno de personalidades, sindicatos, parlamentares e executivos eleitos pelo partido”.

Vai mais longe: “Se as instâncias de base há muito deixaram de existir, agora são as instâncias de direcção que começam a desaparecer ou a transformar-se em meros aparelhos para legitimar posições. As direcções das campanhas eleitorais são exemplos gritantes disso”.

Por último: “O carácter socialista do PT está sendo questionado dentro e fora do partido. A deia da transição e da socialização dos principais meios de produção desaparece e a lógica do mercado surge como inevitável.”

Apesar disto, e reflectindo as incuráveis ambiguidades do trotskismo, o documento considera impossível a repetição no Brasil do processo de social-democratização verificado nos partidos operários europeus e acredita numa “alteração radical do curso do Partido” pela mudança na composição da direcção. Críticas “principistas” “implacáveis” e manobras entristas “audaciosas”: Trotski não deixaria de aprovar…

Por muito que doa aos que depositaram grandes esperanças o “carácter novo” do PT, é a sua transformação plena num “partido burguês para operários” que está em curso. Não cremos que esse rumo possa ser mudado.

Submarinos

Do PT passemos a uma força menor mas com tradições na esquerda brasileira, o Partido Comunista do Brasil. É sempre com interesse que lemos a sua revista Princípios, já que nos permite – para além de informações sobre a situação política interna – fazer o ponto da deriva desse partido.

A imagem que nos fica do PC do B actual a partir dos principais artigos deste número é a de uma extrema corrupção oportunista – o que de forma alguma nos surpreende. Recorde-se que este partido teve há vinte e tal anos pretensões a “farol” do movimento comunista revolucionário e a esse título interferiu na nova corrente comunista nascente no nosso país, causando-lhe sérios prejuízos pela desagregação a que conduziu o PC(R).

Ficamos a saber através de dois artigos de fundo que o partido tem em curso uma campanha pela “intervenção cívica” das Forças Armadas nos grandes problemas do país. Segundo o deputado Haroldo Lima, a “melhor tradição” das Forças Armadas brasileiras sempre teria sido a “unidade nacional”. Nada justificaria pois o silêncio a que estão remetidos os militares e Lima desafia-os a libertarem-se de complexos… Basta que “deplorem publicamente o tratamento desumano dado a opositores do regime” (note-se o termo arrepiante: “deplorar”) e nada impedirá que reassumam o protagonismo. Num outro artigo, “Forças Armadas, poder naval e soberania nacional”, Aldo Rebelo, dirigente e também deputado federal do partido, defende que

“se é verdade que o golpismo, o caudilhismo e o partidarismo que envolveram as Forças Armadas na América Latina são experiências condenáveis, tais factos não podem ser usados como pretexto para excluir os militares da reflexão sobre os rumos do Brasil”.

E adianta propostas concretas para a Marinha e a Aeronáutica: “Uma marinha forte, versátil, adestrada e valorizada é uma garantia para a realização das aspirações nacionais e dos interesses geopolíticos do Brasil. Cuidemos, pois, da nossa marinha”. “O submarino nuclear e o caça AMX são produtos de um pioneirismo e persistência louváveis” que “devem merecer o incentivo, o apoio e o amparo de todos os brasileiros sinceros.” “O Brasil precisa do submarino nuclear. Se por um lado festejamos a certeza de construí-lo, por outro lamentamos as dificuldades orçamentais que têm atrasado o seu calendário”.

Lê-se e não se acredita! Estão assim tão longe os anos negros da ditadura militar? Não vamos ao ponto de supor que a direcção do PC do B esteja financeiramente interessada nas encomendas militares que tão ardorosamente defende. Admitimos que tudo se resuma a um caso de cretinismo patriótico, na linha do “nacional-comunismo” propugnado por João Amazonas. Como argumenta a revista: os Estados Unidos boicotam o reforço militar dos países latino-americanos, que não lhes convém nesta era de “globalização”; logo, devem os patriotas e progressistas bater-se por essas mesmas forças armadas!

Uma outra componente forte da política actual do PC do B transparece num editorial de João Amazonas, intitulado “Socialismo no século XXI”, triste peçazinha no estilo de “incentivo e confiança no futuro” onde, entre outras coisas, somos informados de que “o socialismo sofreu derrota passageira na União Soviética e no Leste europeu” mas que “é possível que os comunistas voltem ao poder na Rússia”; a China “acabará consolidando o regime socialista”, assim como o Vietname. Este namoro descarado ao bastião chinês (que é a actual esperança desesperada para que se volta esta corrente – veja-se a postura de Cunhal e do PCP) leva inclusive a revista a reproduzir um editorial do Diário do Povo de Pequim, “A luta Norte-Sul sobre os direitos humanos”, no qual a condenação da hipócrita campanha imperialista dos “direitos humanos” serve como álibi para fazer passar os atropelos do poder na China.

 (1997)

Cartas a JRR

Francisco Martins Rodrigues

Carta a JRR (1)

25/7/1991

Caro Amigo:

Segue por correio separado o livro que nos pediu. Numa outra encomenda enviamos o últi­mo número da nossa revista, esperando que lhe desperte o interesse e que o leve a tornar-se nosso assinan­te. Os preços de assinatura vêm lá indicados. Seguem também alguns folhetos dos que temos publi­cado, para ter uma ideia das nossas posições. Escusado será dizer que o conteúdo desta segunda en­comenda é grátis.

Na esperança de voltar a ter notícias suas, subscrevemo-nos, com as nossas melhores saudações

 Carta a JRR (2)

14/8/1991

Caro Amigo:

Agradecemos a sua carta e o cheque para assinatura da nossa revista. Se não vir in­conveniente, publicamos extractos da carta na próxima PO, a sair em fins de Setembro.

Esperando que a revista continue a merecer o seu interesse, enviamos as nossas sauda­ções cordiais.

Carta a JRR (3)

26/12/1991

Caro Amigo:

Atendendo o seu pedido, fazemos se­guir em dois pacotes os números disponíveis da P.O., do nº 2 ao 29. Só falta o nº 1, que há muito se encontra esgotado. O valor total consta da fac­tura junta: 3.950$00. Pode enviá-lo por cheque ou vale de correio para o nosso Apartado.

Muito agradecemos as indicações que nos enviou sobre possíveis pontos de venda da re­vista. Já transmitimos cópia da sua car­ta ao nosso núcleo de apoio no Norte, para que aproveitem as suas sugestões e tentem alargar a di­fusão. Também em Lisboa, embora com bastante mais distribuição (cerca de 50 pontos de venda), esta­mos a procurar tornar a revista mais conhecida. É uma condição vital para a nossa sobrevivência, agora que toda a gente parece estar a olhar para outros lados… Não temos dúvidas de que o ambien­te mudará quando certas ilusões se desfizerem; a questão ê mantermo-nos até lá! Um abraço

Pode dar-nos o endereço do “Barcelos Popular”?

 Carta a JRR (4)

20/4/1992

Caro Amigo:

Respondemos à sua carta de 19 de Março, de que publicámos um pequeno extracto no último nº da P.O., que já deve ter recebido e que esperamos lhe tenha agradado.

A sua sugestão de que a influência das nossas ideias poderia aumentar muito se nos transformássemos em partido político é sem dúvida verdadeira, mas infelizmente estamos muito longe de ter forças para isso. Somos apenas um pequeno grupo de propaganda do comunismo e não pretendemos fazer-nos passar pelo que não somos. Houve um tempo em que no nosso país se formavam partidos com a maior facilidade, mas os resultados para a esquerda não foram nada bons. A partir do momento em que um pequeno grupo se arvora em partido revolucionário sem ter forças para uma acção política diária e coerente, afoga-se nas questões organizativas, começa a envolver-se em manobras para aparentar uma força que não tem e perde toda a seriedade.

Por isso, embora consideremos a formação dum partido comunista revolucionário como o nosso objectivo a longo prazo, para já temos objectivos mais modestos: alargar a difusão da nossa revista e melhorar o seu conteúdo, estabelecer contactos com activistas e grupos de esquerda, desenvolver algumas campanhas políticas, como foi no caso da guerra do Golfo… Se a corrente de ideias comunistas se tornar mais forte no nosso país, a formação do partido impor-se-á a um conjunto maior de pessoas e terá uma base sólida para começar. Até lá, e no caso concreto das eleições a que se refere, não teremos outro remédio senão votar no partido que nos pareça menos mau ou abster-nos (é o que nós na P.O. temos feito).

Esperando continuar a receber os seus comentários e informações, aceite as nossas saudações cordiais

 Carta a JRR (5)

11/6/1992

Caro Amigo:

Os comentários da sua carta sobre o partido da Coreia foram aproveitados, com mais uns acrescentos da minha lavra, para um artigo na P.O. nº 35, que deve estar a receber por estes dias. Você verá, mas creio que não alterei a orientação do seu texto. Como não sabia se lhe interessava ter o seu nome na revista, assinei com as iniciais. Mais informações da Coreia ou outras, comentários ou notas suas que ache de interesse para divulgação na revista, críticas, recortes de jornais locais ou estrangeiros — tudo nos interessa. Como já deve ter visto, estamos a procurar alargar a cobertura informativa da revista, para além dos temas ideológicos. Com a falta de publicações de esquerda, a circulação de informações é uma necessidade que todos sentimos.

Ainda quanto ao tema do partido: para além de todos os inconvenientes de que já lhe falei, acresce a dificuldade que representaria para nós, nesta altura, reunir 5.000 assinaturas de eleitores proponentes do novo partido, com os respectivos certificados de eleitores, etc. Foi essa dificuldade que nos levou a entrar em colaboração com a LST (trotskista) há três anos, para concorrer às eleições para o Parlamento Europeu sob a sigla FER. A colaboração correu mal, como é norma entre pequenos grupos, e desistimos a meio da campanha eleitoral, o que foi desagradável para todos.

Vi a sua carta no «Público» de 29 de Abril. É bom furar por onde se possa para romper o unanimismo da asneira que por aí vai. Cordiais saudações.

 Carta a JRR (6)

15/9/1992

Caro Amigo:

Muito gratos pelos materiais que nos enviou e a que vamos dar o melhor aproveitamento. Junto enviamos fotocópia do artigo pedido da P.O. nº 1 sobre o Verão quente. Tomámos boa nota do novo endereço e para aí será já enviada a próxima P.O., a sair em início de Outubro.

Tendo em conta a boa vontade que manifesta em dar-nos colaboração, lembrámo-nos de lhe fazer um pedido: ser-lhe-ia possível preparar um artigo sobre o tema a que se dedica, eleições, para uma das próximas P.O., por exemplo a repartição de forças dos diversos partidos nas autarquias? Ou as deslocações de votos na área da «extrema esquerda» nas últimas legislativas? Isto são sugestões. A nossa única limitação seria quanto à necessidade do artigo não ser demasiado técnico, dado o carácter da nossa revista, mas isso certamente será tomado em consideração por si. Esperamos a sua opinião com o maior interesse. Aceite as nossas saudações cordiais.

Carta a JRR (7)

9/12/1992

Caro Amigo:

Respondo à sua carta de 14 de Novembro e espero que me desculpe pela demora, mas só agora fechámos o último nº da P.O. Alegrou-nos muito a sua disponibilidade para colaborar na revista e a promessa de um artigo já para o nº 38. Como verá pela P.O. 37, que espero chegue às suas mãos no fim da próxima semana, estamos a procurar alargar o número de colaborações. Teremos muito gosto em contar consigo como colaborador regular, na medida das suas possibilidades.

O tema das deslocações de votos à esquerda da CDU é interessante, porque permite sondar qual o estado de espírito da extrema esquerda que resta. Sabemos que isso o obriga a consultar e tratar muitos números, dos quais só os mais significativos ficarão no artigo final, para não sobrecarregar muito a leitura. Pode ser um bocado ingrato para si, mas deixamos ao seu critério ver como conseguirá pôr em relevo as conclusões políticas que se podem extrair dos números. Quanto ao tamanho, não sabemos bem de que espaço precisa; sugerimos não mais de 6.000 caracteres, por motivos de paginação. Como data-limite de entrega propomos 15 de Janeiro. Acha que lhe será possível?

Quanto a futuros artigos; falei nas autarquias por ser assunto que já começa a agitar os partidos, mas não quer dizer que tenha que ser esse o tema. Temos lido alguns artigos e cartas suas no «Público» sobre diversos temas, expondo opiniões com que concordamos no essencial.

Se você tivesse interesse em tratar qualquer outro tema não referente a eleições para o nº 39, estamos de acordo. Só lhe peço que nos diga com alguma antecedência, para fazermos as nossas programações e distribuições de temas entre nós. Você conhece os nossos interesses.

Quanto às suas perguntas;

  1. a) não vemos explicação para a sobrevivência do PCTP/MRPP, até porque, ao que sabemos, não se trata de um grupo com ligações estrangeiras. Por vezes, é frequente nesta área grupos sem qualquer expressão manterem-se em funcionamento devido a subsídios da corrente internacional em que se inserem. Parece não ser este o caso do MRPP. Embora alinhe pelo «marxismo-leninismo-stalinismo-maoísmo», corrente que está organizada internacionalmente em torno de um «Partido Comunista Revolucionário» dos EUA e na qual se inclui o PC do Peru («Sendero Luminoso») e muitos outros pequenos partidos, não nos consta que o MRPP mantenha contactos ou receba apoio dessa corrente. O facto de há muito não publicar imprensa e de os seus órgãos dirigentes estarem paralisados por divergências e «lutas de linhas» ainda torna a sua continuidade mais surpreendente. Julgamos que uma certa recuperação de linguagem de extrema esquerda feita por eles nos últimos anos, depois da desgraçada política de apoio ao PS e PSP contra o «social-fascismo», lhes terá criado aos olhos do eleitorado de esquerda uma imagem dos «últimos revolucionários que não se rendem». As intervenções radicais do Dr. Garcia Pereira, em períodos eleitorais talvez contribuam para alimentar essa imagem. Fica uma dúvida: se daqui a um ano ou dois ou três a situação social se agravar e houver tendências de radicalização, não será que o MRPP ressurgirá em força com o seu discurso radical a servir de capa a uma táctica direitista, como no passado?
  2. b) OCMLP — integrou-se de facto no PCP(R) em 1976, depois de uma assembleia de militantes no Porto, a que eu próprio assisti como convidado por parte do PCP(R), mas uma fracção minoritária recusou aceitar a integração. Era animada pelo antigo secretário-geral Pedro Baptista, e por um indivíduo cujo nome agora não recordo, que era jornalista do «Jornal de Notícias», suponho. A base da divergência era um «anti-socialfascismo» virulento e acusarem o PCP(R) de conluio com o social-imperialismo. Foram utilizados pelo PSD nessa altura. Mantiveram-se como grupo autónomo, numa espécie de hibernação durante vários anos. O seu núcleo forte era na Foz do Douro. Depois de uma tentativa de reanimação eleitoral, acabaram por se dissolver. Pedro Baptista é actualmente um dos animadores do Movimento Pró-Referendo e julgo estar ligado ao grupo de Barros Moura.

Registámos o seu reparo sobre a necessidade de demarcação do PCP na questão angolana e publicámos esse extracto da sua carta na revista que vai sair. (…) Interessa-nos tudo o que nos tem enviado e também esses artigos do Edgar Rodrigues[i], se for possível.

Quanto às possibilidades de colocar a P.O. em duas tabacarias de (…) e (…), interessa-nos muito. Justamente agora estamos a fazer um esforço acrescido na difusão; o nº 36 foi pela primeira vez colocado em mais de 120 bancas na região de Lisboa, número modesto mas que, para a nossa dimensão, é um record. Estamos a tentar que os nossos camaradas do Porto alarguem também a distribuição na cidade.

Proponho o seguinte: mandaremos do próximo nº da P.O., além do seu exemplar, mais 6, 3 para cada tabacaria. Seguem umas guias que usamos na entrega da revista e que você apenas terá que preencher com o nome dos vendedores (isto se eles quiserem as guias, pois há muitas bancas com quem fazemos contas sem papéis). Daqui a dois meses, quando sair a próxima P.O., você passaria por lá a colocá-la e a levantar as sobras. Em princípio, o pagamento de importâncias tão irrisórias dispensa facturas e recibos, mas se eles pedissem passávamos em nome da empresa distribuidora. Você não precisa de nos devolver logo as sobras; pode juntá-las aí e enviar ao fim de seis meses, por exemplo. Não precisa de fazer contas connosco: guarda o dinheiro das eventuais vendas numa conta-corrente, de que nos enviaria o que houvesse ao fim de seis meses, por exemplo. É muito possível que, durante alguns meses, as vendas sejam decepcionantes, até haver alguém que repare na revista; temos essa experiência quando vamos para um local novo. Mesmo nesse caso, gostaríamos que persistisse na distribuição, se isso não lhe causar muito incómodo.

Desconhecíamos esse projecto do «Dicionário da extrema esquerda» do Pacheco Pereira. Vai ser preciso comprar, por muito que nos custe. Não sei se viu um artigo desse tipo no «Público» de 4/12 sobre «Os rivais de Cunhal». Como se metia comigo, respondi-lhe à letra, espero que saia brevemente no «Público».

Por agora é tudo. Teremos muito gosto em receber as suas notícias. Aceite as minhas saudações

 Carta a JRR (8)

16/2/1993

Caro Amigo:

Suponho que já terá recebido a P.O., com mais um pacote de 6 exemplares. O seu artigo ainda veio a tempo de ser incluído. Foca um aspecto geralmente esquecido nas discussões sobre o ensino e penso que valorizou a revista. Ficamos agora à espera de colaboração sua para o próximo número… se os seus afazeres lho permitirem. O fecho da redacção está previsto para 15 de Março e agradecemos que nos diga que tema pensa tratar, para fazermos a nossa programação e evitarmos sobreposição de artigos sobre o mesmo assunto. Esperamos também, como já vai sendo hábito, os boletins e recortes que nos puder obter. Procuramos sempre aproveitar esses elementos, duma forma ou de outra, para tomar a revista mais informativa.

A propósito do grupo ligado ao «Barcelos Popular», foi-nos referido há dias como estando empenhado, com diversos outros membros e ex-membros da UDP e do PC(R), na realização dum encontro, cujo objectivo não parece muito bem clarificado. Suspeitamos que alguns dos antigos dissidentes da UDP com mais aspirações políticas querem aproveitar a crise e o descrédito da organização para formar um grupo-fantasma para, apoiados nele, regatearem lugares em listas do PS ou do PCP nas próximas eleições autárquicas. Veremos.

Por agora é tudo. Continuamos à espera duma oportunidade para conversarmos de viva voz. Aceite as nossas saudações

 Carta a JRR (9)

7/4/1993

Caro Amigo:

Afinal, o seu artigo ainda veio a tempo. É interessante e mostra um conhecimento por dentro do assunto; entrou no nº 39, cujo fecho se atrasou uns dias. Já está na tipografia mas, devido ao feriado da Páscoa, só vai ser expedido provavelmente na segunda-feira. Vamos enviar-lhe, como combinado, mais 6 exemplares. Recebemos o cheque dos exemplares vendidos e as publicações. Citámos na secção Telex o semanário “Opinião Pública” como sendo de Famalicão, mas não temos a certeza. Quando tiver notícias regionais que ache interessantes, pode mandar apenas o recorte para não fazer despesa desnecessária em correio. Quanto à devolução das sobras, não se preocupe porque não temos pressa nenhuma.

Para o próximo número, já sabe, se tiver disponibilidade, estamos interessados na sua colaboração. Podemos manter uma secção sobre temas do ensino, que lhe parece?

Aceite as nossas saudações cordiais

 Carta a JRR (10)

23/8/1993

Caro Amigo:

Recebemos o cheque, que agradecemos, e as publicações. Infelizmente, o artigo «As lições de Courel» já não chegou a tempo de ser incluído no n° de Maio/Junho. Mesmo assim, ainda talvez não fique mal no próximo nQ, porque toca num tema de fundo que não se desactualizou. Se além desse puder enviar o prometido artigo relativo às autárquicas, será óptimo. Quanto ao tema das passagens administrativas, não estou em condições de lhe dar uma opinião por conhecer mal o assunto. Tenciono transmitir as suas opiniões a alguns amigos professores e dir-lhe-ei depois, se recolher alguma ideia. De qualquer forma, se entender escrever algum comentário sobre o assunto, já sabe que estamos interessados em manter uma coluna sobre temas do ensino.

Quanto à cisão da FER, envio-lhe junto um folheto que distribuíram no 1Q de Maio. Apesar da boa apresentação e do nome pomposo, ficaram parados depois disso. Prometeram ir iniciar uma revista, mas até agora não sabemos nada. Pelo que nos informaram, a cisão foi o seguinte: o antigo grupo «Esquerda Revolucionária», que publicava a revista «Versus» (não sei se chegou a ler), e que se tinha fundido com a LST por pressão da LIT (4a Internacional) agora voltou a separar-se. Houve entretanto perdas, devido ao ambiente político desfavorável, e os que saíram (MPS) parecem ser muito poucos. A FER ficou com ligações aos estudantes e com a revista «Alternativa Socialista». O motivo da cisão, segundo nos foi dito, teve a ver com o debate internacional na LIT sobre a “revolução política” no Leste: a FER acharia que houve excesso de optimismo quando da derrocada do poder na URSS, ao passo que o MPS acharia que foram mesmo grandes revoluções e que a situação está mais revolucionária do que nunca. Isto foi o que nos disseram, não lhe posso garantir que seja assim. O que é certo é que o partido-pai da LIT, o MAS argentino, partiu-se em vários bocados e toda a corrente parece atravessar uma grande crise, o que não é de estranhar.

Fomos convidados a assistir à apresentação da nova revista «Manifesto», feita por alguns dissidentes jovens do PCP que formam a ala esquerda da Plataforma de Esquerda: Paulo Varela Gomes, Ivan Nunes, etc. Começa a sair em Setembro e é bimensal. As intervenções só não me pareceram decepcionantes porque já ia mentalizado para uma grande superficialidade. Muita retórica de esquerda, mas muita indefinição nas questões vitais. Enfim, podem fazer uma revista apesar de tudo interessante. Com o panorama fúnebre que vivemos neste pais, algo que apareça na área da esquerda pode servir pelo menos para agitar as cabeças.

E com isto é tudo, não lhe tomo mais tempo. Um abraço e até breve.

 Carta a JRR (11)

6/12/1993

Caro Amigo:

Respondo às suas cartas de 10 e 28 de Novembro, agradecendo o cheque de 1.470$ e a indicação dum possível assinante. Foi pena esta última carta nos chegar às mãos já depois de ter fechado a redacção, pois as suas notas sobre o carnaval autárquico aí na zona tinham todo o cabimento. Talvez se possam incluir junto com outras coisas que reuniremos sobre o balanço das eleições no próximo número. Se entretanto se lhe proporcionar, já sabe que estamos interessados em colaboração sua. A redacção fecha por volta de 20 Janeiro.

Aqui, de novo apenas um convite que recebemos, a Ana Barradas e eu, para intervirmos numa semana de debates sobre o centenário de Mao, realizada pela Biblioteca-Museu da Resistência, organismo dependente da Câmara de Lisboa. Outros participantes (em dias diferentes!) são o Arnaldo Matos, Pacheco Pereira e Pedro Baptista (ex-OCMLP). Pelo menos, estão convidados. Decidimos aceitar, embora o público seja restrito, para valorizar o Mao revolucionário e fazer fogo contra a bronca ironia com que PS e PC falam da revolução chinesa, como se fosse uma anedota.

A P.O. deve sair breve da tipografia. Mando-lhe 3 exemplares extra, como de costume. Um abraço.

 Carta a JRR (12)

14/12/1993

Caro Amigo:

De acordo com o seu pedido telefónico, mando-lhe um livro de guias de remessa. Suponho que terá recebido a minha carta de 6 do corrente e os 6 exemplares da P.O. (na carta, por lapso, eu dizia 3). Mandámos um exemplar como oferta à pessoa cujo nome indicou, com uma carta propondo-lhe tomar-se assinante. Espero que o conteúdo da revista lhe agrade e lhe dê sugestões para uma colaboração sua no próximo número.

 No próximo dia 22 participarei num debate na SIC sobre o centenário de Mao: se tiver oportunidade, veja e diga-me depois a sua opinião. Por agora é tudo. Aceite um abraço e os meus votos de um bom Ano Novo.

Carta a JRR (13)

8/8/1994

Caro Amigo:

Fico-lhe muito grato pelo seu convite e de sua mulher para ir aí passar uns dias, mas creio que não será possível este ano. Problemas familiares difíceis (o falecimento de uma minha irmã) exigem a minha presença aqui e tiram-me a oportunidade e disposição para grandes férias. Vamos a ver se até ao fim do mês consigo tirar dois ou três dias para descontrair, aqui por estas bandas.

Recebi os cheques e registei a renovação da sua assinatura e espero que tenha recebido o livro em boas condições e que lhe esteja a agradar. Quanto à liquidação das P.O.s vendidas aí, de acordo.

 Quanto ao prof. Lages, só soubemos da sua passagem por Lisboa através da sua carta e foi pena, porque justamente nesta altura tínhamos pensado em contactá-lo para tentar obter documentação relativa à guerra colonial. Um grupo de antigos desertores e refractários tem feito algumas reuniões para preparar a formação de uma associação, que teria entre outros objectivos o de divulgar factos e números relativos à guerra. Como você gosta de estar informado sobre estas questões, mando-lhe o projecto inicial, redigido pelo José Mário Branco.

Conto desde já com um artigo seu para a próxima P.O. sobre a participação da extrema-esquerda nas eleições europeias. Quanto ao PT – Partido dos Trabalhadores, ouvimos falar mas não sabemos nada. Se obtiver alguma informação, não deixarei de lha mandar. E por hoje, é tudo. Aceite um abraço e mais uma vez o meu agradecimento pelo seu amável convite.

José Manuel Lages foi o professor que impulsionou a criação de uma extensa exposição e um museu sobre a guerra colonial, em Famalicão, em 1989. (Nota de AB)

Carta a JRR (14)

26/4/1995

Caro Amigo:

Em resposta ao seu pedido por telefone, junto envio 10 guias de remessa da P.O., em duplicado (nº 5/073 a 6/082) e 10 recibos já carimbados (nºs 252 a 261), umas e outros em duplicado, para usar conforme necessário.

Se por acaso vier a Lisboa no 1º de Maio, não deixe de se encontrar connosco na apresentação do último livro Dinossauro, ‘‘História da Comuna de 1873”, de Lissagaray, que vai ter lugar no restaurante “Expresso de Paris”, Avenida de Paris, 12-A (perto da praça do Areeiro), pelas 17 horas.

Aproveito a ocasião para lhe pedir já colaboração para a próxima PO. É o nº 50, completa dez anos de publicação e tencionamos fazer um número com mais páginas e, na medida do possível, com a participação de todos os colaboradores. Como de costume, o assunto do artigo fica ao seu critério.

Por aí tudo bem? Aceite um abraço com as minhas saudações

 Carta a JRR (15)

6/9/1995

Caro Camarada:

Obrigado pela sua carta, devoluções da P.O. e cheques. Está tudo em ordem. Também recebi a sua mensagem telefónica. Depois duma semana de férias (o stalinismo é assim, não dá direito a mais!), retomo actividades e já temos alguns artigos (demasiado extensos e pesados, receio) para organizar o sumário da próxima revista. Contamos dedicar umas 5-6 páginas aos dramas eleitorais, comentados sob várias vertentes. Se estiver para aí virado e quiser mandar-nos alguma coisa sobre isso até dia 30 do corrente, faz-nos jeito. Se a sua colaboração for sobre outra matéria (questões do ensino, por exemplo), aí já lhe peço que nos faça chegar um pouco mais cedo, até dia 22. Vamos tentar fechar a revista por essa data, deixando só as páginas do dossier eleições para os últimos episódios.

Marcámos para 22 de Outubro, domingo, um encontro para comemorar o nosso 10º aniversário. Constará duma parte de confraternização e de outra dedicada a debater um pouco o balanço de dez anos, perspectivas da P.O., situação do movimento marxista internacional, etc. Sobre estes temas será elaborado um texto introdutório do debate, de que lhe enviarei cópia oportunamente (lá para meados de Outubro, não antes, porque até lá a P.O. 51 vai dar-nos trabalho). Se quiser e puder vir a este encontro, dar-nos-á grande satisfação. Diga-nos depois alguma coisa. Aceite um abraço.

 Carta a JRR (16)

12/10/1995

Caro Amigo:

A P.O. já está na tipografia e deve recebê-la no princípio da próxima semana. Verá que o seu artigo foi fortemente cortado. Espero que não me leve a mal mas chegou já no fim e o espaço excedia em muito o que me tinha dito inicialmente (1 pág.). Procurei conservar o fio da exposição, restringindo ao essencial. Também o quadro ficou reduzido aos dois grupos, Trotsquistas e M-L, sem discriminar. Penso ter mantido o interesse do artigo. Você dirá.

O nosso encontro-festa vai por diante, no sábado 21 (e não domingo, como lhe tinha dito). O Fernando Rosas vem participar no debate[ii], assim como o nosso colaborador Ângelo Novo. À noite teremos convívio com intervenção de alguns artistas. Se puder, venha. Um abraço

 ———

[i] Edgar Rodrigues radicou-se no Brasil desde 1951, ano em que deixou Portugal para escapar à perseguição de Salazar. Foi um dos principais responsáveis pela documentação e publicação de boa parte da história recente do anarco-sindicalismo nos dois países. (Nota de AB).

[ii] Fernando Rosas não pôde comparecer. (Nota de AB).

Cartas a AV – 1

Francisco Martins Rodrigues

Carta a AV (1)

8/4/1986

Camarada,

Recebemos a tua carta de 5 de Março, da qual tomámos a liberdade de retirar alguns extractos que publicaremos na nossa PO  nº 4 a sair nesta semana.

Esperemos que tenhas recebido com agrado a PO nº 1 e 2 e o “Anti-Dimitrov”, que temos muito gosto em te oferecer.

Foi pena que, no encontro que um nosso camarada teve contigo, não se tivessem abordado as questões levantadas na tua carta. Quanto aos “desabafos” da tua carta, pensamos que são interrogações justas e realistas. Também nós procuramos dar respostas a todos esses problemas, e é sempre com prazer que verificamos que os temas que abordamos na revista encontram eco em alguns leitores. Embo­ra a situação seja preocupante, o nosso objectivo é procurar um caminho revolu­cionário que nos aponte saídas para furarmos as tais “campanhas de cerco e ani­quilamento” .

Gostaríamos de manter contacto contigo, por carta ou pessoal, sempre que possível. Entretanto, sugerimos-te que colabores com a PO, enviando-nos ou peque­nos artigos sobre qualquer tema político que te interesse, ou notícias, opini­ões, entrevistas que possas recolher aí relativamente ao movimento operário – sobre empresas, acção sindical ou qualquer outro assunto que esteja adequado à nossa revista.

Esperemos que quando tiveres emprego, possas fazer uma assinatura da revis­ta, que passarás a receber em casa.

Aguardando notícias tuas, enviamos-te as nossas saudações,

Carta a AV (2)

22/9/1988

Caro Amigo:

Em resposta ao teu pedido de 19 do cor­rente, enviamos-te nesta data os 4 exemplares que pediste da PO. Poderás fazer o pagamento por meio de vale postal dirigido ao nosso Apartado.

Ainda bem que vês interesse nos assuntos que discutimos na revista. A partir do próximo número (Outubro) introduzimos várias alterações que esperamos que a tornem mais interessante e acessível. Também reduzimos substancialmente o preço. Diz-nos o que te parece.

Com as nossas melhores saudações

Carta a AV (3)

2/5/1989

 Por lapso da nossa parte, a tua assinatura foi registada mas falhou o envio do nº 18.

Mando-te agora juntamente com o nº 19, com as nossas desculpas. Mando também alguns papéis da FER para te dar uma ideia, fizemos um comí­cio de apresentação na Voz do Operário e par­ticipámos com faixas próprias no 1º de Maio.

Por enquanto a Frente ainda está muito limitada às forças dos 3 grupos constituintes. Se tive­res oportunidade de distribuir propaganda em Coimbra ou Viseu será uma boa ajuda a divulgar a existência desta frente. Diz que quantidade de manifestos da FER te podemos enviar (vai sair um manifesto pela a lista de candidatos, em gran­de tiragem). Sempre que puderes manda-nos in­formações. Um abraço

PS – Mando junto um abaixo-assinado de apoio à FER. Se puderes recolhe assinaturas.

 Carta a AV (4)

14/6/1989

Caro Camarada:

Deves estar confuso com as notícias so­bre a nossa desistência da FER. Pela PO 20, que receberás dentro de dias, ficarás informa­do do que aconteceu. Estávamos há semanas à beira da ruptura e tentámos evitá-la por todos os meios mas os elementos da LST são desleais e não respeitaram os acordos que tínhamos as­sinado cm Março. Estavam a dar um tom modera­do e pouco sério à campanha e a impedir-nos de expor uma posição radical, conforme fora acor­dado. Queriam servir-se do nosso apoio para lançar o seu novo “partido” trotskista e apresentar as suas ideias. Pensamos que errá­mos ao ter entrado nesta frente sem garantias suficientes. Sabemos que esta crise causa des­crédito à esquerda mas não esteve na nossa mão evitar. Continuaremos o nosso trabalho em defesa das posições revolucionárias comunistas.

Esperando contar sempre com o teu apoio, aceita um abraço

Carta a AV (5)

1/8/1989

Caro Camarada:

Com algum atraso, devido a férias, res­pondo à tua carta de 6/7. Gosto sempre de rece­ber notícias e comentários teus e alguns, como tens visto, têm sido publicados.

Quanto ao MRI – Movimento Revolucionário Internacionalista, recebemos a sua revista em inglês e enviamos-lhes a P.O. em troca. São uma corrente maoísta, cu,jos principais partidos são o P. Com. Revol. dos EUA e o PC do Peru (Sendero Luminoso). Também temos várias publicações do PC do Peru, e uma longa declaração do seu diri­gente, o Presidente Gonzalo.

O mal desta corrente ê recusar-se a ana­lisar as causas da derrota da revolução chinesa e não fazer um balanço ao que o maoísmo teve de positivo e de negativo. Julgo que podem conse­guir algum êxito em países onde haja guerrilha camponesa (caso do Peru) mas não têm respostas para o movimento operário internacional. O futu­ro do comunismo não passa por ali. Caso estejas interessado, poderei ceder-te algum texto para leitura. Estamos a estudar novos temas para Outubro.

Um abraço

 Carta a AV (6)

10/10/1989

Caro Camarada:

Seguiu numa encomenda separada:

  • entrevista de Gonzalo (Peru)
  • revista do movimento maoísta internacional
  • PO 21 (tua assinatura)
  • PO 21 (10 exemplares)

Estes 10 exemplares destinam-se ao seguinte, caso estejas de acordo: ires colocar em duas livra­rias ou bancas de jornais aí (5 cada). Como tivemos que desistir da distribuição comercial porque não estava a dar resultado, lembrei-me de te fazer este pedido, dado o interesse e apoio que tens dado à revista. Mando juntas guias de remessa com indicação do desconto que fazemos (25%, o vendedor ganha 25$00 por cada revista).

Caso não possas fazer isto, agradeço que de­volvas os exemplares quando devolveres o folheto de Gonzalo e a revista americana (são exemplares únicos de nossa biblioteca). Fico aguardando as tuas notícias e a opinião sobre a PO. São bons os recortes ou comentários como tens feito. Saudações

 Carta a AV (7)

20/2/1990

Caro Camarada:

Tenho recebido as tuas cartas (a última foi a de 7/2 cem o cheque) mas não tenho respondido por demasiados afazeres. Peço que me desculpes, registámos a renovação da tua assinatura por 9 números e os 100$00 excedentes como apoio à revista.

Sempre que possas, manda as tuas informações e recortes, pois como tens visto têm sido aproveitados. Fizemos no dia 20/1 um debate alargado sobre as evoluções do revisionismo e estamos a ten­tar avançar mais ideias sobre o tema. Diz o que te pareceram os artigos da PO nº 23. Decidimos também editar um livro a curto prazo (?) em torno da crise do PCP, que vem confirmar o que os marxistas-leninistas diziam sobre a convergência entre o revisionis­mo e a social-democracia.

Recebemos a devolução dos materiais que te tínhamos enviado. Aceita as nossas saudações

 Carta a AV (8)

3/5/1990

Caro Camarada:

Agradecemos as tuas palavras de apoio que são para nós um estímulo a continuar a difícil tarefa de manter a “P.O.” em publicação regular.

Quanto ao teu pedido de materiais dos gru­pos e partidos pró-albaneses, estamos muito mal abastecidos. Vamos enviar-te uma série de números do “Vanguardia Obrera”, que é o único que recebe­mos com regularidade. Como publicam sempre extractos dos partidos irmãos deles (Albânia, Brasil, Equador, Colômbia, França, Dinamarca, etc.) permite teres uma ideia do que se diz por essas bandas. Para já, temos observado, também pelo “Bandeira Vermelha”, que são muito discretos quanto à der­rocada do Leste, dando a ideia de que se sentem confusos. Há também sinais de uma aproximação tí­mida aos revisionistas “duros”, como Fidel. Enfim, tu farás e tua análise. Pedimos que depois devolvas como da outra vez, visto que são exemplares únicos de arquivo. Um abraço e desejos de bom trabalho

 Carta a AV (9)

31/5/1991

Caro Camarada:

Houve bastantes respostas ao inquérito sobre a UDP, algumas extensas, de modo que depois de encher duas páginas da P.O. tivemos que guardar algumas para o próximo número. Ê o caso da tua, que foi das últimas a chegar. Espero que compreendas.

A próxima P.O. sairá depois das férias, em fins de Setembro, antes das eleições, portanto. O inquérito continuará a ter cabimento.

Hecebemos as tuas cartas de 5 e 25 de Março e publicámos algumas das tuas informações.

Por favor continua a mandar notas e comentários.

Neste momento estamos a colaborar com algumas pessoas no lançamento duma campanha de desmistificação dos Descobrimentos e anti-racista, vai sair um texto no 10 de Junho e vai-se fazer uma exposição de rua, depois mando-te cópias.

Um abraço

 Carta a AV (10)

26/8/1991

 Caro Camarada:

 Julgo que terás recebido a nossa carta de 31 de Maio. O teu depoimento sobre a UDP na CDU sairá na próxima PO; se por acaso lhe pretendesses introduzir quaisquer actualizações ainda ia a tempo, mas já está pronto para a im­pressão. Só falta (e é este o motivo desta carta) uma fotografia tua. Como identificação do teu nome pensamos pôr “foi activista de grupos marxistas-leninistas”, uma vez que nunca aderiste à UDP.

Está bem assim? Também gostaríamos de ter alguma correspondência tua para publicar sobre questões laborais ou de política local, etc. Pode ser?

Temos previsto um encontro para de­bate político para sábado dia 21 Setembro. Poderemos contar com a tua presença? Depois enviamos notas para discussão mas para já gostaríamos de saber se te é possível vir a Lisboa, assim como a fotografia logo que possível. Um abraço

 

Imperialismo e Terceiro Mundo

Francisco Martins Rodrigues

Imperialismo e Terceiro Mundo

Voltando ao problema dos “erros” de Marx, Ellen Meiksins Wood nota que o traço característico do Capital é analisar o capitalismo como se fosse um sistema fechado, e nessa base traçar a sua lógica interna, ao passo que hoje se tornou um sistema universal, com as distorções que isso acarreta (Monthly Review, 2/49, pp. 2-3). Se recordarmos que no tempo em que o Capital foi escrito o capitalismo era um fenómeno localizado à Europa e à América do Norte – e mesmo na Europa a situação ainda levava Marx a avisar os alemães que algum dia teriam que seguir as pisadas da Inglaterra -, teremos uma noção da profundidade da mudança ocorrida desde então.

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Informe à Assembleia de 1/7/1988

Francisco Martins Rodrigues

Estado da OCPO – Depois de uma primeira fase, em que nos concentrámos no trabalho ideológico e falhámos no projecto paralelo de uma corrente sindical em torno da “Tribuna Operária”, e de uma segunda fase (o úl­timo ano), em que fomos forçados a fechar-nos na empresa, as nossas forças encontram-se muito desgastadas. Continuar a ler

Relatório de actividade

Francisco Martins Rodrigues

Relatório de actividade

Este primeiro ano de vida da OCPO, só por si, representa uma vitória. Saímos do PC(R) pela esquerda e mantivemos o nosso espaço: pela primeira vez em Portugal, se lançou uma revista de debate e crítica marxista.

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