A revolução que não pôde ser socialista

Francisco Martins Rodrigues

 Há os que amaldiçoam a revolução russa como “totalitária”, há os que a ideaíizam como a aurora do socialismo é mais que tempo de uma visão realista da sua grandeza e dos seus limites históricos.

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On Soviet Union and Stalin

Francisco Martins Rodrigues

Notes about Stalin

1. “Proletarian Justice”

In 1936-38, in three big successive trials, ninety leaders and outstanding members of the Bolshevik Party (Zinoviev, Kamenev, Bukharin, Rykov, Radek, Smirnov, Piatakov, etc.) confessed publicly to having organized two parallel centers of espionage and terrorism, in connection with Trotsky and the Gestapo. They were almost all executed. In the same period, in another closed door trial, some of the chief commandants of the Red Arms’ were condemned and executed. They were accused of treason in the service of nazism.

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Os bolcheviques no tribunal do anarquismo

Francisco Martins Rodrigues

Nos últimos decénios, pontos de vista anarquistas e anarquizantes contra o Estado revolucionário, a ditadura do proletariado e o partido comunista passaram a ser aceites por muitos que anteriormente seguiam a cartilha leninista. Agora, com a derrocada do que ainda restava do mal cheiroso «socialismo real», a crença nos méritos da autonomia, a desconfiança da política e dos políticos conhece nova expansão em meios de esquerda. «Afinal, quando os anarquistas previam a degenerescência do poder bolchevique eram eles que acertavam e era Lenine que se enganava».

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Os bolcheviques no tribunal da social-democracia

Francisco Martins Rodrigues

Porquê continuar a mastigar sobre a revolução russa? Porque o progresso futuro do marxismo está suspenso do balanço daquela que foi a primeira grande revolução operária da história. Se deixarmos sem resposta as «lições» reaccionárias sobre Outubro de 1917 agora propagadas a torto e a direito, ficaremos desarmados face à talvez ainda distante mas inevitável crise revolucionária que amadurece na Europa.

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Idealização da revolução russa trava o avanço do comunismo

Francisco Martins Rodrigues

No seu artigo (P.O. 76 e 78), Manuel Raposo procura demonstrar que a Revolução Russa poderia ter chegado ao socialismo e marcou com fortes traços de socialismo a URSS enquanto esta existiu. Mesmo que a alguns leitores pareça excessiva a insistência com que o tema tem sido abordado na revista, tentarei assinalar brevemente os principais pontos em que divirjo de MR. Não sem manifestar, desde logo, a minha surpresa por um membro do colectivo redactorial só tão tarde entrar num debate que tem acompanhado a revista desde o início.

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Ainda sobre Staline

Francisco Martins Rodrigues

 Em Outubro de 1920, discursando numa conferência de comunistas do sul da Rússia, Staline fazia um balanço optimista das perspectivas do poder soviético: a ideia inicial de que a revolução proletária não poderia manter-se na Rússia atrasada se não estalasse no Ocidente uma revolução mais profunda e avançada fora desmentida pelos factos; os sovietes podiam manter-se, seguir em frente e até mesmo vir a “servir de exemplo aos países capitalistas desenvolvidos“; esta era uma conclusão nova do marxismo. (Staline, A estratégia e a táctica dos comunistas, ed. Maria da Fonte, Lisboa, 1976, pp. 123-124).

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Bukarine, o precursor

Francisco Martins Rodrigues

Meio século depois de ter sido condenado e fuzilado como chefe de um bando de espiões e sabotadores ao serviço do imperialismo, Bukarine acaba de ser formalmente reabilitado pelo Supremo Tribunal de Moscovo. As acusações contra ele formuladas eram falsas, as “provas” forjadas. Tudo se resumiu a uma monstruosa maquinação para dar cobertura à sua eliminação política.

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