Carta ao CMLP no exterior

Francisco Martins Rodrigues

Lisboa, 27/1/1966

Camaradas:

Recebemos a carta 1/66 e os fundos que indicam. Estamos a tratar de levantar a encomenda na morada indicada. Aproveitamos este portador para tratar detalhadamente algumas questões urgentes. Continuar a ler

Cartas a MV – 33

Francisco Martins Rodrigues

Carta a MV (39)

10/1/1993

Caro Camarada:

Passaste o Ano Novo numa boa? Espero que esteja tudo bem contigo, que tenhas recebido a minha carta de 10 de Dezembro e que estejas a redigir uma Carta de Paris para publicar na próxima P.O.. Aceita-se colaboração até 20 de Janeiro!

Por aqui, tudo sereno. O sol português, que não falha mesmo no Inverno, tem um efeito calmante sobre as lutas de classes. Estive ontem no Porto, convidado pelos estudantes para um debate na Faculdade de Direito da Universidade Católica (!), sobre «O futuro da esquerda». Participaram também o Barros Moura (Plataforma de Esquerda, ex- PCP), Alberto Martins (PS) e Alda de Sousa (PSR). Apesar do tipo de público, passei o tempo a falar de comunismo, derrubamento da ordem social estabelecida, crimes do capitalismo e sua condenação histórica, mentira das liberdades burguesas parlamentares e das soluções reformistas, etc. Só queria que visses os olhos esbugalhados dos moços, era a primeira vez na vida que ouviam tais coisas. É claro que daqui a uma semana já esqueceram tudo, mas ficaram a saber que os tais «dinossauros» comunistas existem mesmo. E os nossos amigos reformistas meteram os pés pelas mãos e ficaram – sobretudo o Alberto Martins – incomodados. Também te mando o artigo que saiu há um mês no «Público» sobre os rivais de Cunhal-

No campo internacional, depois do panorama desolador que te dei na última carta, vieram notícias melhores: no Irão, o Mansoor Hekmat fundou um novo Partido Comunista Operário cujas posições, expostas num boletim em inglês, «International», nos parecem sólidas. Transcrevemos um extracto na próxima P.O. O MLP dos EUA realizou o seu 4º Congresso, no qual se debateram as divergências e se admite a probabilidade de não poderem continuar como partido, mas se afirmam dispostos a preservar uma plataforma marxista-leninista e um núcleo coeso. Veremos.

Publicamos na próxima P.O. um resumo-comentário do livro de Tom Thomas sobre Ecologia, que nos pareceu arejado e bem esgalhado. Ele chegou a tomar conhecimento da crítica que fizemos ao outro livro dele? Deu alguma opinião? Podes mandar-me o endereço dele para eu lhe escrever directamente a ver se ele quer colaborar na P.O.? Do Serfaty, não veio até agora qualquer resposta à carta que lhe mandei. Ou está muito ocupado ou não se quer comprometer connosco. E o «Albatroz»? No teu último cartão dizes que está em preparação. Fico à espera.

É tudo por agora. Aceita um abraço.

Cartas a MV – 32

Francisco Martins Rodrigues

Carta a MV (37)

15/9/1992

Caríssimo:

Não recebi resposta às questões que te pus na minha carta de 14 de Julho: colaboração tua para a P.O., renovação da assinatura do Monde Diplomatique, contacto com o Serfaty, notícias sobre o Albatroz. Estou preocupado com a tua falta de notícias mas espero que estejas apenas de férias, numa boa.

Escrevo-te esta para te dizer que renovei aqui a assinatura do Monde Diplomatique; não faças aí uma em duplicado. Estamos a fechar a P.O., se quiseres mandar alguma coisa ainda vem a tempo. Escreve ou tomamos pública a tua irradiação! Além disso, só te escrevo sobre a política cá da terra quando escreveres uma carta em condições.

Um abraço

Carta a MV (38)

9/12/1992

Caro Manuel:

Só agora, depois de enviada para a tipografia a P.O. nº 37, pude meter-me a pôr em dia a vastíssima correspondência que aflui de todos os cantos do mundo… Respondo à tua carta de 28 de Outubro.

A visita do torcionário Hassan II não está marcada, nem oficialmente confirmada. Já foi mais de uma vez anunciada na imprensa, desde Abril ou Maio, mas depois fica tudo em silêncio. Suponho que há dificuldades no estabelecimento da agenda, interesses económicos conflituais (pescas, conservas). Uma coisa parece certa: do lado de cá, o Mário Soares está interessado em promover a visita e tem lançado periodicamente referências simpáticas a Marrocos na imprensa, além de abafar as referências desagradáveis. Uma coisa positiva foi a aparição recente do Abraham Serfaty num programa organizado pela Amnistia Internacional, no novo canal da SIC (Balsemão/«Expresso»), denunciando a situação dos presos marroquinos. De acordo com a tua sugestão, vou escrever ao Serfaty propondo a redacção desse manifesto, para não sermos colhidos de surpresa se a visita for avante dum momento para o outro. Procurei mas não encontrei fotos de visitas dos grandes chefes lusitanos a Marrocos.

A P.O. passou para 32 páginas e está a ampliar a lista de colaboradores regulares, como verás pelo nº 37 que te chegará dentro de dias. Só a «Carta de Paris» não corresponde. Quando te irritas com algum acontecimento e tens um dos teus desabafos, fazes óptimas cartas; o pior é que te irritas poucas vezes… Será desta que vais mandar algo? Ganhámos um novo colaborador, João Paulo Monteiro, do Porto, que parece ter ideias e sabe expô-las. Diz-me o que te parecem os artigos dele.

 A distribuição da revista também deu um «grande salto em frente»: passámos para 120 pontos de venda na região de Lisboa e estamos a alargar também no Porto e a arranjar outras localidades, tudo na base militante. O nosso sonho continua a ser a passagem à publicação mensal, mas só se assegurarmos uma rede maior de colaboradores certos.

Quanto a outras áreas de actividade, continuamos bloqueados. O único campo em que temos feito alguma intervenção tem sido na questão do racismo e colonialismo, através do MAR, Movimento Anti-Racista. Deslocámos uma delegação a Cádiz em Setembro, onde participámos num encontro internacional contra as Comemorações dos 500 anos dos Descobrimentos; contactos com esquerdas latino-americanas, índios, teologia da libertação, não nos faltam. Continuamos a ir para a rua Augusta fazer agitação anti-racista e anti- descobrimentos. De cada vez, é um êxito quanto à comoção pública que causa, mas, como digo numa crónica que escrevi na última P.O., as reacções de extrema-direita e mesmo abertamente nazis começam a tomar-se descaradas, perante a vacilação e o receio da maioria das pessoas presentes. O ambiente aqui não tem termo de comparação com o do resto da Europa, vai tudo sempre mais devagar, mas, como bons alunos, acabam por lá chegar…

Um teste esclarecedor foram os acontecimentos em Angola, que levantaram na imprensa daqui uma vaga pró-Savimbi que nem queiras saber. Mando-te fotocópia dum artigo que consegui fazer sair no «Público». Agora estou a ver se publicam um outro que para lá enviei, em resposta a um artigo porco do Pacheco Pereira, que me referia entre os rivais infelizes de Cunhal (o velho passou à semi-reforma no congresso do PC que acaba de ter lugar).

Quanto ao terreno propriamente comunista, estamos a bradar no deserto. Espero que não me venham buscar um dia destes para o manicómio. Os nossos contactos internacionais não avançam, recuam. Os norte-americanos andam metidos num debate interno que possivelmente vai dar a divisão em duas ou três partes. Dos iranianos, quase nada sabemos, a não ser que o Mansor Hekmat saiu do partido. E pela tua parte? O último livro do Tom Thomas é interessante, eu tinha preparado um comentário-resumo, mas saltou por falta de espaço, sairá na próxima P.O. Estou a receber o «Monde Diplo».

Pedimos tudo o que vejas por aí de papéis com algum interesse. É tudo, Manel. Abraços de todos nós. Se vieres a Portugal, procura-nos!  

Cartas a MV – 26

Francisco Martins Rodrigues

Carta a MV (30)

5/11/1991

Caro M:

Muito grato pela assinatura do “Monde Diplo”, recebi pelo correio directamente de lá, deduzi que tenha sido iniciativa tua.

Estive a ler o trabalhe do Tom Thomas sobre a “Opacidade”, segundo entendi da tua carta é para publicar no próximo Albatroz, mas, francamente, pareceu-me pesado de mais para o estilo da revista. Não só por ser extenso, nem pelo tom, mas sobretudo por ser uma exposição em estilo académico, não aplicada a uma questão concreta. Quanto a mim, ficaria mais interessante se o autor, a propósito dum comentário de actualidade, fizesse as suas considerações.

Estou à espera que me digas se contas comigo para algum artigo, tema e tamanho e prazo! Mas também não desisto de te pedir (com urgência!) uma carta de Paris para a próxima P.O.: as greves, o racismo, a podridão dos socialistas, sei lá! Estamos a tentar diversificar e animar mais a revista e tu tens que ajudar. Certo? Por agora ê tudo. Um abraço  

Carta a MV (31)

30/12/1991

Caro M:

 Fim do ano, carta rápida. Vou aproveitar os materiais que mandas sobre presos marroquinos e superexploração, assim como o caso Joel Lamy, para a próxima PO.

Aproveitei os tuas notas sobre  ética também para  o próximo, apenas suavizando os referências ao Ronald, não vá ele cortar connosco já à partida. Segue fotocópia da revista deles, “Arma da Crítica”. Eles prometeram tentar distribuir a PO no Brasil e em troca pedem -nos divulgação deste lado dum jornal que fala sobre casos de repressão e se chamo “Resistência”. Poderás colocar aí algum? Julgo que só interessará a brasileiros. Também nos comprometemos a mandar alguma colaboração para a “Arma da Crítica”, vamos ficar submersos.

A Tabaqueira (que não se chama “Nacional”, atenção !) tem os seguintes endereços: (…)

Se é para pôr uma bomba, tens o meu apoio. Por causa do tabaco é que isto está como está.

Um abraço e bom ano!

Cartas a MV – 21

Francisco Martins Rodrigues

Carta a MV (24)

20/2/1991

Velho M:

Estou aplicadamente a responder e a ausência não é de tantos meses como dizes; a minha última foi em Novembro, nada mau. Tenho recebido um rio de bilhetes, recortes, jornais, até um livro (“Mon ami le roi”). E também as tuas duas colaborações: a última, curta, saiu no PO 28 (por gralha não foi mencionada como “Carta de Paris”); a outra colaboração, com notas e discordâncias sobre a carta aos comunistas americanos já está composta e ere para sair no caderno cor-de-rosa deste nº 28 mas a acumulação de mate­riais sobre o Golfo obrigou a pô-la de parte. Sairá no próximo nº.

Creio que não tens razão nos teus receios a que deitemos demasiadas coisas pela borda fora. Julgo haver na tua visão sobre a URSS ainda uma carga antiga (quanto ao poderio, ao social-imperialismo, etc.) que me parece (que nos parece a nós aqui) desmentida pelos aconte­cimentos recentes. Eu acho a perspectiva que damos hoje nesta PO so­bre a degenerescência e apodrecimento do regime soviético muito mais marxista-leninista do que a que herdámos dos chineses, albaneses, etc. Sem dúvida, o assunto precisa de mais discussão e a tua carta aju­dará a essa reflexão. Esteve cá um dos dirigentes do MU americano e travámos debates, inconclusivos mas amigáveis. Eles prometeram publicar no seu jornal uma resposta à nossa resposta, dentro de alguns meses. Quando a tivermos mandar-te-ei; possivelmente publicaremos.

Golfo: temos estado desesperadamente a tentar agitar as águas pantanosas do consenso pró-americano nesta terra, como verás pela PO 28 e por uma folha da CCIG[i] que aqui te mando junto. Estamos de novo associados com os trotskistas da FER, porque foram os únicos a condenar sem reservas a agressão imperialista americana. Hoje esti­vemos mais uma vez com uma exposição de painéis na Rua augusta e dis­tribuindo comunicados. Suscita uma enorme atenção e discussões por vezes acaloradas, com opiniões fascistóides a vir ao de cima a cada passo. Depois de amanhã vamos fazer nova concentração frente à embai­xada americana, mas não espero mais de duas centenas. Mando-te também fotocópia de alguns artigos que tenho publicado na imprensa, é pos­sível que algum vá repetido; tenho um artigo no “Público” à espera que saia, sobre o “anti-americanismo primário” (a desculpa prefe­rida dos nossos intelectuais vendidos) mas está difícil de sair, desconfio que as minhas hipóteses no “Público” vão acabar.

Recebi o artigo que te mandei “Lisboa a sono solto” tra­duzido em francês, mas não percebi porquê, porque não me voltaste a dizer nada sobre o Albatroz” que iria sair e para o qual te man­dei esta colaboração. São dificuldades financeiras, suponho? Há perspectivas de sair a breve prazo? O V afinal sempre te dá alguma ajuda? Diz-me alguma coisa sobre isto.

Ficámos aqui muito satisfeitos por ter chegado a resposta de Serfaty[ii] e a confirmação de que recebeu a encomenda com a PO. Te­mos estado a enviar-lhe a PO regularmente, espero que a receba. Vou decifrar o texto elaborado pelos presos sobre os recentes acontecimentos em Marrocos, talvez se possa publicar algo no próximo nº. Foi pena não ter chegado quinze dias antes; fiz um pequeno artigo sobre o assunto com base nas notícias dos Jornais, que saiu na PO 28.

Quem apareceu aqui com alguns manifestos mais radicalizados sobre a cruzada do Golfo ainda foram os anarquistas, temos algumas pontas para alguns, procurando vias de colaboração nesta frente. E aí, depois das manifestações que informaste, amainou o ambiente?

Ainda não li a tua intervenção no congresso sindical, che­gou aqui ontem, depois te direi algo.

Quanto ao resto da nossa actividade, segue como normalmen­te, isto é, reduzida a um punhado de “fanáticos” e por isso cheia de deficiências, mas cá vamos. Eu canalizo as minhas fúrias para os jornais; enquanto mas publicarem… Ontem mandei um depoimento para o “Independente” (da direita) sobre o maoísmo.

Um abraço, até breve

 

[i] Comissão Contra a Intervenção no Golfo (CCIG), ver comunicado em https://ephemerajpp.com/2014/12/07/comissao-contra-a-intervencao-no-golfo-ccig/. (Nota de AB)

[ii] Tratava-se do marroquino Abraham Serfaty (1926 -2010), militante e activista político, que foi preso durante o reinado autoritário do rei Hassan II. Esteve quinze meses num cárcere subterrâneo, tendo cumprido dezassete anos de prisão.  Em parte graças a uma campanha internacional a seu favor, foi libertado e viveu oito anos de exílio em França, antes de regressar a Marrocos, onde faleceu. (Nota de AB)

 

Cartas a MV – 12

Francisco Martins Rodrigues

Carta a MV (16)

4/7/1988

Só umas linhas para saber se vai tudo bem e para te dizer que penso estar em Pa­ris em meados de Agosto, de passagem. Pode­remos ver-nos e poderás arranjar alojamento por dois dias pare dois (eu e Ana)?

Recebi há pouco tempo um bilhete teu, depois de falares com o ZM, e em que dizes que pensas vir brevemente a Lisboa. Quando será isso? Vamos ver-nos?

Fico à espera de notícias tuas. Um abraço

 Carta a MV (17)

 4/9/1988

Só para te dizer que a minha deslocação aí teve que ser adiada, por motivos alheios à minha vontade. Não sei quando se concreti­zará. Estive com o ZM, conversámos e foi com vontade de fazer o possível ai fora. Tu discutirás com ele a forma de poderem colabo­rar nalguma coisa. Sobretudo a tradução dos artigos principais da P.O. para francês teria para nós muito interesse, porque vão surgindo pessoas interessadas em conhecê-los. Temos acompanhado a iniciativa do ’Albatroz’ em tor­no dos presos políticos portugueses e tenta­remos dar-lhe apoio através da S.C.R.

Neste momento estamos a preparar a PO 16, para sair em meados de Outubro, com um novo visual (maior formato, menos págs, mais bara­ta, com mais comentários curtos), segundo uma ofensiva que decidimos lançar para ganhar lei­tores operários. Tu dirás o que te parece. E o Albatroz? Quando vens a Lisboa? Um abraço.

Cartas a MV – 9

Francisco Martins Rodrigues

Carta a MV (13)

6/3/1987

Respondemos à tua carta. Esperamos que a esta hora já te­nhas recebido a encomenda com a PO nº 8, a Tribuna Comunista nº 11, a Denúncia nº 3, assim como recortes de imprensa acerca do 1º aniversário da nossa revista.

A nossa última iniciativa foi a realização de dois debates sobre a questão Staline, em Lisboa e no Porto. O de Lisboa, so­bretudo, com 30 pessoas, foi bastante participado e deu lugar a um debate animado. Manifestaram-se com certa força tendências anarquizantes que partem da crítica a Staline para pôr em causa o partido, a revolução, etc. Este confronto de opiniões foi muito esclarecedor para a maioria das pessoas presentes, que aprende­ram mais assim do que se tivéssemos feito uma palestra “monolí­tica” à porta fechada. Pretendemos continuar com estes debates, que estabelecem uma ligação mais viva com os amigos da revista.

Neste momento, as nossas capacidades de elaboração de temas estão seriamente reduzidas por termos que nos concentrar no pro­blema financeiro. Como disse antes, o pagamento em poucos meses da máquina de composição obrigou-nos a contrair uma série de em­préstimos que ameaça afogar-nos. Felizmente estamos a conseguir bastante trabalho e vamos dar luta para pôr a empresa a flutuar. Mas esta concentração nas actividades técnicas e comerciais vai afectar provavelmente o nível da revista por algum tempo.

lamentavelmente, a tua carta com as notas sobre os estudan­tes, o artigo sobre o “Carrefour du Développement” e as revistas com bonecos, chegou tudo tarde demais, quando já tínhamos a re­vista na tipografia. Sei que a tua vida é atarefadíssima mas pe­ço que tenhas em conta as datas-limite para podermos meter a tua colaboração. Se nos puderes mandar alguma coisa para o próximo nº, deve cá estar no próximo dia 19 de Março. Vamos ainda meter o comentário sobre o escândalo do “Carrefour”; embora um pouco atrasado é interessante porque foi aqui pouco conhecido.

Recebi uma carta do JC, antigo companheiro de prisão, que tomou contacto com a PO por teu intermédio. Parece-me sinceramente desejoso de fazer qualquer coisa e já lhe escrevi. Seria bom que discutisses com ele e visses em que nos po­de ajudar. Que opinião tens sobre ele? Estará ele disposto a vir cá brevemente para conversarmos? Peço que me escrevas sobre este caso, que pode ser de muito interesse.

Também escreveu o PA, em resposta a uma carta que lhe enviei, com a oferta da PO nº 7. Mostra-se preocupado com o sentido das nossas críticas (Staline, Albânia) e continua a não assinar a revista. Seria bom se lhe escrevesses, para lhe agitar um pouco as ideias e tirar o medo à crítica.

Quanto ao “Albatroz”: temos sabido pelo R do andamento dos trabalhos. Vou entregar-lhe o pequeno texto que pediste so­bre o Zeca Afonso, não sei se servirá. Mas, pelo que entendi, o vosso “Albatroz” não dará trabalho de composição para a nossa empresa.

Tomámos nota dos contactos que fizeste com a OCML e o M. Soube há dias, por um comunicado da OCML que já rebentou lá a cisão e que mudam de endereço. Veremos como se desenvolve o caso mas receio que o grupo esteja em crise geral, talvez pela dificuldade em implantar-se, ao fim destes anos de existência. Um perigo que também nós corremos, diga-se. Por enquanto, ainda não conseguimos consolidar as pontas sindicais que nos apareceram. Estamos a iniciar um debate sobre a questão sindical, como pode­rás ver pela ”Tribuna Comunista” nº 11. Diz o que te parece sobre o assunto.

Do Irão, nunca mais recebemos notícias acerca do seu projecto de um encontro internacional. Continuo à espera de melhor oportunidade para me deslocar aí.

Por agora termino. Estamos assoberbados de trabalho. Até breve, um grande abraço para ti e para a R. Beijos para os pequenos.