Cartas a JV – 6

Francisco Martins Rodrigues

Carta a JV – 6

24/10/1991

Caro Amigo:

Depois da pausa das férias, voltamos ao ataque… Espero que já tenha recebido a P. O. 31. As suas cartas aparecem em dois sítios, como viu e embora não tenha saído tudo na íntegra julgo que não retirámos nada importante. Se quiser continuar, nós cá estamos. Que tal lhe pareceu este último nº? É muito difícil a uma pequena equipa como nós somos corresponder à diversidade e complexidade de temas que exigem discussão. Você dirá que a dificuldade vem das nossas prisões ideológicas… Veremos. Li na “Batalha” a sua intervenção sobre as revoltas da juventude. Tema que se está a tornar escaldante à medida que a direita fascista lhe mete a mão, segundo leio nos jornais.

Espero que tenha recebido também um boletim MAR  2, feito por nós em colaboração com outras pessoas, para ver se animamos uma campanha contra os malfadados Descobrimentos e, por tabela, contra o racismo, que aqui começa a dar os seus avisos. Brevemente deveremos pôr na rua um livro negro dos Descobrimentos coligado pela Ana e editado pela Antígona. Abraços para si e para a S.

 

Cartas a HN – 8

Francisco Martins Rodrigues

Carta a HN – 8

21/10/1996

Caro Camarada:

Estou a responder às tuas cartas de 3 e 6 de Setembro, desejando que te encontres de saúde e com a energia do costume. A P.O. 56 está na tipografia, esperamos poder fazer a distribuição amanhã. Como verás quando a receberes, houve desta vez acumulação de textos grandes, que nos obrigaram a retirar várias colaborações, entre elas o depoimento que enviaste. Fica para a próxima, tal como um artigo meu que tenho vindo a trabalhar, sobre o tema do Imperialismo. O Bitot é muito interessante e esclarecedor, mas no segundo livro dele, “Le Communisme n’a pas encore commencé” (que só existe em francês), apresenta, quanto a mim, uma forte incompreensão do fenómeno do imperialismo. O AN, embora lhe faça algumas críticas acertadas, na troca de cartas que publicamos nesta P.O., também acaba por lhe fazer algumas concessões e desvaloriza o trabalho de Lenine a este respeito. Espero por isso poder publicar na próxima P.O. um artigo claro sobre este assunto. Se se percebe a mecânica da concentração do capital mas se omite a espoliação e opressão dos países ricos sobre os países pobres, vamos por mau caminho. E muito fácil a quem vive na Europa esquecer-se que o avanço capitalista repousa sobre biliões de miseráveis do Terceiro Mundo.

Quanto ao depoimento-proposta que assinas em conjunto com o JM, ele retoma uma preocupação que já exprimiste anteriormente numa outra colaboração saída na P.O.: tomar medidas práticas para sair do impasse a que chegámos, atrevermo-nos a criar um núcleo orgânico, mesmo pequeno como seria esse Centro Marxista Popular, para tentar crescer a partir daí. Só posso apoiar a ideia e espero que a publicação do artigo desperte algumas vontades adormecidas. Tencionamos fazer até ao fim do ano um encontro com alguns camaradas e aí tentaremos ver a receptividade à ideia. Mais não te posso dizer, pois como deves ter constatado quando da vossa visita a Portugal, o problema actual do grupo P.O. é estar reduzido a tão poucas pessoas activas que fica esmagado só pelas tarefas da edição da revista, de um ou outro livro e da gestão da gráfica. Fizemos em Junho uma pequena reunião e os resultados não foram nada animadores, pois amigos que outrora já foram activos e agora estão desmobilizados só abrem a boca para pôr defeitos à P.O. e quando solicitados a colaborar no melhoramento, respondem que a sua vida não permite…

Enfim, creio que a atitude destas pessoas só se modificará quando algum acontecimento da luta de classes, nacional ou internacional, as sacuda do torpor e desânimo em que caíram. Há que confiar que gente nova também aparecerá, por força. Mas voltando ao teu artigo: proponho-me portanto incluí-lo na próxima P.O., fazendo alguns melhoramentos de redacção, desde que me dês autorização para isso. Para além das emendas que indicas na tua carta, eu aconselhar-te-ia, em futuros escritos, a usares mais a frase curta, porque as ideias encadeadas umas nas outras em frases muito extensas obrigam o leitor a muito maior atenção e daí até ao cansaço e ao pôr a leitura de lado vai só um passo…

A entrevista com a MM vem já neste número. Peço que lhe dês as minhas saudações e o pedido de que nos prepare um artigo sobre a condição da mulher trabalhadora na Suíça, como ela diz no fim da entrevista. Factos concretos, sem preocupações de teorizar muito. Pode ser bem interessante.

Assinatura P.O. — a tua assinatura está válida até ao nº 59, não precisas de te preocupar. Quando estiver prestes a caducar receberás um postal de renovação. Espero que nessa altura decidas assinar, caso contrário vou aí ajustar contas contigo.

Livro soviético sobre a religião — não sei do que se trata, lamento não te poder ser útil.

História do PC — já vem neste número um primeiro artigo, agora quero ver se mantenho a passada; material não me falta, com base na minha experiência. Vamos a ver se os artigos não ficam muito chatos, os leitores de hoje já pouco se interessam por essas histórias de outros tempos.

Dinossauro — o monstro sai da toca na próxima quinta-feira, para apresentar mais um trabalho: a novela “Kianda – O Rio da Sede”, do capitão Álvaro Fernandes, que foi pessoa muito em destaque na altura do Verão Quente de 75 pelo seu apoio à corrente da extrema-esquerda. São episódios da guerra colonial contados por quem lá esteve; a piada é ele dar alternadamente a luta vista do lado dos portugueses e do lado dos guerrilheiros. Pode ser que mais algumas cabeças deste país comecem a perceber que aquilo foi um crime colectivo em que não só o Salazar teve culpas. Agora que o ambiente por aqui é todo de regresso a África, creio que o livro é oportuno. Mando-te para já 3 exemplares, para tu e o Z angariarem por aí alguns compradores. As próximas edições Dinossauro ainda não se sabe quais são e quando são, tudo depende das massas, que estão curtas…

Jornais suíços — recebemos a batelada e vi que o Quotidien é progressista, mas para a próxima agradeço que mandes só os recortes do que te parecer mais útil para nós. Recebemos vários números do Solidarité mas só o que tu nos mandaste, não temos nenhuma assinatura.

Contraponto — Combinámos com o MV Vaz ele continuar em Paris a coligir os materiais, fazer e expedir pelo correio (o que ele diz que pode conseguir sem grande despesa), dando-nos a conhecer previamente o conteúdo de cada número. Aguardo agora notícias dele a este respeito, vou-lhe escrever.

Máquina de escrever eléctrica — Esse artigo está muito desclassificado nesta era dos computadores. Ainda não me informei mas vou saber e digo-te.

Marx e Engels em português — Conhecermos o seguinte, além do Capital . ——————- . Queres algum   deles?

Por agora é tudo. Aceita um abraço

Cartas a MV – 52

Francisco Martins Rodrigues 

Carta a MV (55)

5/11/997

Caríssimo:

Estava justamente para te escrever porque os teus materiais têm chegado em barda, em tal ritmo que ficam muitos para leitura posterior. Não me posso queixar.

A PO seguiu, deves ter recebido depois do teu último bilhete. Como terás visto, acabei por fazer um breve resumo da tua nota sobre as rodriguices[1]. Falei com o Carretas, que não me pareceu muito empenhado numa guerra com essas bandas; e pela nossa parte, pareceu-me que à quase totalidade dos leitores seria impossível apreender o sentido da polémica. Conservei por isso o que me pareceu essencial: o elogio da peça e a crítica aos críticos. Tu dirás se achas bem Metemos também uma pequena recensão sobre o Albatroz e ainda a nota sobre o José Manuel Manuel Fernandes[2].

Agora espero uma Carta de Paris para o nº 62, que já começa a dar os primeiros passos. Tem que estar pronto antes do fim deste mês de Novembro, para recuperar o atraso do anterior. A regularidade da publicação tem sido ponto de honra nosso desde o princípio e não quero agora começar a ceder. Para o próximo número estou a preparar uma última resposta ao AN; mesmo que ele volte a responder não continuarei esta polémica, porque vai saltitando de tema para tema e porque usa um estilo acintoso que me é desagradável. Não quero entrar por esse caminho e parece-me já ter evidenciado as mazelas da sua cabeça. Além disso, ele aumenta sempre o tamanho das respostas, de tal modo que ameaça inundar a revista. Neste último, tivemos que guardar metade do artigo. Sai no próximo.

Tenciono também continuar o tema “Europa – o eclipse da revolução”, agora num plano mais actual, tentando responder à interrogação: actividade comunista em Portugal, hoje, o que pode ser? Com sindicatos? Com parlamento? Como fazer para que as reivindicações diárias concorram para acumular forças revolucionárias? Francamente, não sei onde está a resposta, é só para explorar o assunto. O facto é que, dando o balanço às minhas experiências “comunistas” até hoje, só vejo acumulação de forças reformistas, não revolucionárias, e isso tem a ver com a concepção geral dos métodos de luta, não pode ser atribuído apenas às inclinações oportunistas dos Cunhais ou Arrudas.

Estamos a preparar aceleradamente dois Dinossauros: a “Breve história do indivíduo”, do Thomas, agora em revisão final da tradução, e um texto de um professor do Senegal sobre a situação em África (umas 80 páginas) que me pareceu interessante e que ele me autorizou a editar[3]. Não vai ter venda nenhuma, mas é a nossa modesta contribuição para a Expo’98. Diz lá das boas sobre o imperialismo europeu. Assim que estiver pronto, mando-te.

Para o próximo Contraponto não sei se estás já a coligir algo. Proponho-me traduzir o artigo que me mandaste do Michael Lõwy sobre as ideias do Che. Achas bem? Diz-me se tens planos e não te descuides. Quanto ao abaixo-assinado a Estocolmo, acho bem gozado mas ficaria talvez mais eficaz se um pouco mais condensado. Meteste-lhe talvez ideias demais, e a piada sobre Aljubarrota parece-me uma excrescência. Mesmo a boca sobre o Nobel ao Egas Moniz talvez já desvie as atenções do essencial: temos valores pujantíssimos que o mundo não reconhece. Queremos um Nobel! Achas que os brasileiros devem vir na lista? A mim parece-me que o chauvinismo lusitano exige é um prémio para um dos nossos, estão-se marimbando para o Amado ou o Melo Neto. Foi de propósito que não mencionaste o Saramago e o Lobo Antunes? Ao que percebi, vai acesa a guerra e o Saramago promove-se descaradamente. Avança com o apelo Albatroz; mas não me peças para o traduzir, tem uma série de expressões que não domino, além de que é indecente, tu, um português de Guimarães, quereres que eu te traduza os teus texots do francês. Se isso se sabe por aqui, ficas queimado de vez.

Atenção à mudança de telefone e fax, mudámo-nos para a rua (…). . Os Douradores e o Ferragial[4] acabaram! Até breve, um abraço

—————-

[1] Referência ao jornalista José Manuel Rodrigues da Silva, ao tempo editor do Jornal de Letras, que fizera uma recensão sobre a peça ”Bolero”, acabada de encenar por José Carretas. (Nota de AB)

[2] Jornalista então editor do jornal Público. (Nota de AB)

[3] Crise africana. Alternativas, de Bernard Founou-Ttchuigoua, ed. Dinossauro, 1998. (Nota de AB)

[4] Anteriores locais de trabalho da Política Operária. (Nota de AB)

Cartas a MV – 48

Francisco Martins Rodrigues

Carta a MV (53)

16/1/1995

 Caro M:

Continuo a receber materiais teus a um ritmo estonteante, o que é óptimo. Só me falta uma prosa tua para a próxima P.O., será que ainda desenrascas algo? Fecho impreterível no dia 24 do corrente.

E uma bela notícia, essa de que virás para cá por um ano. Decerto vão-se arranjar tarefas para te ocupar: o nosso glorioso partido é vasto e conduz actividades em muitas frentes, desde a teoria da revolução ao anti-racismo, desde uma empresa de edições a comités regionais em quase todo o território…

Por agora podes parar com o envio de originais para eventual tradução, pois o nosso conselho de leitura (que por sinal é formado pelas mesmas pessoas que compõem o conselho de redacção da P.O., o corpo de funcionários políticos, a equipa técnica, a contabilidade e o serviço de distribuição) já está submergido por materiais a examinar. Temos a sair um livro dum autor brasileiro-moçambicano[1], que é uma recolha de depoimentos sobre a guerra colonial, em cujo lançamento vamos apostar em força. É a guerra vista pelo outro lado, com episódios tenebrosos mais do que suficientes para deixar engasgados os patriotas cá do sítio que já se aventuram a falar outra vez do “espírito universalista dos portugueses”. Do livro do Thomas[2] envio-te 5 exemplares, para as primeiras impressões. Vou mandar também 3 para o autor (foi o que ele pediu). Do livro “Coração Forte”, igualmente cinco exemplares.

Acabo de receber o teu postal alarmado. Não, não estou doente. Estou em pânico, porque tenho falta de material para fechar a P.O. Desencava aí por favor uma prosa urgente e brilhante. Estou a ver se amanho um artigo sobre o “Marx em liberdade vigiada”, a propósito dos rapazes intelectuais que começam a conceder que “o velho até acertou nalgumas coisas”, desde que se dê como assente que a revolução proletária nunca mais! Também quero ver se faço alguma coisa à altura dos últimos movimentos operários, na Marinha Grande e Pejão (mineiros), deves ter lido algo: cargas da polícia, respostas duras dos operários, marchas sobre Lisboa. Parece haver sinais de que algo muda na disposição dos proletas, fartos de fome e pontapés. Veremos se tem sequência.

Escreve. Um abraço

——————-

[1] Licínio de Azevedo, autor de Coração Forte, ed. Dinossauro, 1994. O título da edição original moçambicana é Relatos do povo armado, ed INLD, Maputo, 1976 (N. de AB)

[2] A Ecologia do absurdo, ed. Dinossauro, 1994. (N. de AB)

Cartas a MV – 45

Francisco Martins Rodrigues

Carta a MV (50)

8/8/1994

Caríssimo:

Será que o selo [1] não vale mesmo ou és tu que queres ficar com o tesouro só para ti? Eis a dúvida pungente que não me deixa dormir. Mas eu vou aí a Paris tirar a coisa a limpo, podescrer! Quando menos esperares, bato-te à porta. E quando te vir a viver à grande e à francesa, já sei que foi o fruto do meu selo.

Por aqui, tudo calmo. De novo, apenas uma tentativa para formar uma Associação de
Antigos Desertores da Guerra Colonial, de que te mando o texto convocatório, feito pelo Zé Mário Branco. Se tiveres aí possíveis interessados, informa-os. Bem se precisam apoios, porque a iniciativa por enquanto está muito restrita. Poderia ser uma boa plataforma para fazer fogo contra a faxaria que não desperdiça nenhuma ocasião para refazer a história, dizer que “a guerra estava quase ganha”, “os cabo-verdianos não queriam a independência”, o “Conselho da Revolução foi uma cambada de traidores”, etc.

As minhas actividades têm estado reduzidas ao mínimo, infelizmente por causa da doença de uma minha irmã, que acabou por falecer recentemente. Estou a ver se me relanço ao trabalho mas primeiro quero arranjar meia dúzia de dias de férias, que estas últimas semanas têm sido bem pesadas.

Recebeste os 5 volumes do “Futuro”? Penso meter as tuas “bocas” ao Sousa Tavares nas cartas dos leitores do próximo número, mas, à parte disso, não me arranjas uma carta de Paris? Cá fico à espera. Um abraço.

[1]  Segundo MV, em carta de 21/6/94:

Cem vítimas do fascismo

Francisco Martins Rodrigues

Distribuído no 1º de Maio de 1994

O regime de Salazar-Caetano foi ou não fascista? A PIDE foi ou não
uma organização de assassinos? Estas parecem ser as grandes questões
em debate, neste 209 aniversário do 25 de Abril. Para avivar a memória
dos “distraídos”, recordamos os nomes de cem vítimas, extraídos de um
folheto publicado em 1974 pela Associação de Ex-Presos Anti-Fascistas.
Com uma pergunta: os que se sacrificaram pela liberdade merecem
o espectáculo vergonhoso a que se assiste de reabilitação do
fascismo?
Continuar a ler

O Futuro Era Agora

Agora em https://www.marxists.org/portugues/tematica/livros/futuro/index.htm

O Futuro Era Agora
O movimento popular do 25 de Abril

Edições Dinossauro


Primeira Edição: 1994
Coordenador: Francisco Martins Rodrigues

Colaboraram na recolha e tratamento dos textos : Ana Barradas; Angelo Novo; António Barata; António Castela; Beatriz Tavares; Filipe Gomes e Rogério Dias Sousa

Capa: António Barata

Transcrição e HTML: Fernando Araújo.

Direitos de Reprodução: © Edições Dinossauro


Índice

capa
Baixe o livro em pdf

Os 580 dias

Prefácio

Cronologia

Molotovs no Palácio de Cristal, Rogério Dias de Sousa

O mestre disse que a Pide tinha fugido, Maria Luísa Ernesto

As perdizes, Cândido Ferreira

Durante três dias mandámos no quartel, Manuel Figueira

Toda a gente empenhada em mudar a vida, Jorge Falcato Simões

Obrigámos o Jaime Neves a recuar, Manuel Monteiro

Da JUC para a fábrica, Berta Macias

O assalto à esquadra das Antas, José Carretas

Sindicalismos em conflito, Custódio Lourenço

Foi a minha universidade, Maria de Lurdes Torres

A “revolução” no Estado Maior, António S

Autogestão na Sogantal, José Maria Carvalho Ferreira

Assobiámos o Spínola no 25 de Abril, Amílcar Sequeira

Um jornal diferente, Júlio Henriques

Sem o 25 de Abril seria uma patetinha, Helena Faria

Revistar os carros da polícia, Luís Chambel

Meu saudoso PREC, João Azevedo

Despertar dum sindicato, Vítor Hugo Marcela

Ambição era tomar o poder, Joaquim Martins

Alegria e candura, José Manuel Rodrigues da Silva

Tudo era tratado na comissão, Maria da Graça Duarte Silva

O “Che” a falar na praça, pendurado num eléctrico, Paulo Esperança

Alegria nos arrabaldes, Fernando Dias Martins

Confrontos nas ruas do Porto, Alberto Gonçalves

Os partidos não me diziam grande coisa, Maria Amélia da Silva

Passámos de caçados a caçadores, António José Vinhas

Não soubemos explorar a crise de poder, Mariano Castro

O único perigo era para a direita, Vitorino Santos

Primeiros passos da Reforma Agrária

Fazer frente aos pcs não era pêra doce, José Paiva

Lisboa – Luanda, Orlando Sérgio

Foi uma descoberta, Bárbara Guerra

Reunião de prédio, Pedro Alves

O Pires Veloso dormia na cave, José Guedes Mendes

A militância era uma festa, Nela

Os soldados não ligavam aos oficiais, Manuel Borges

Vivi por antecipação a derrocada, Helena Carmo

Sempre atrasados, José Manuel Vasconcelos Rodrigues

Uma estranha liberdade, Rita Gonçalves

Falharam os três D, Mário Viegas

O povo à porta do quartel a pedir armas, José Manuel Ferreira

Despertei no 25 de Novembro, Altamiro Dias

O povo em armas? Uma fraude, Tino Flores

Como entrei nas “catacumbas”, “Brezelius”

Andei a vasculhar a sede da PIDE, Avelino Freitas

Comecei a pensar no que poderia vir, Maria da Glória R. Borges

Dormir ao relento à porta da fábrica, Maria Luísa Campina Segundo

O poder parecia tão próximo…, Fernando Reis Júnior

Um cabo-verdiano em Lisboa, Álvaro Apoio Pereira

Os polícias de braços no ar, António Castela

Uma burguesa entre operários, Marta Matos

Recordando o soldado Luís, Valdemar Abreu

Greve aos bilhetes, João Marques

Falar de Abril

25 de Abril: transformações nas escolas e nos professores, Eduarda Dionísio….

25 de Novembro: como a esquerda foi encurralada, Francisco Rodrigues

Autonomia dos trabalhadores, Estado e mercado mundial, João Bernardo

Brandos costumes & maus hábitos antigos, Manuel Vaz

Siglas

Bibliografia


Cartas a MV – 22

Francisco Martins Rodrigues

Carta a MV (25)

5/6/1991

Caríssimo:

Os teus materiais têm chegado em ordem. Vi­mos o teu apelo para apoios para a saída do “Al­batroz” e, a título mais simbólico do que outra coisa, dada a nossa escassez de meios, decidimos enviar 5.000$00. Foram num vale postal para essa morada (a Ana juntou mais 1.000$00 pela despesa do livro que lhe mandaste). Ficamos à espera do material. Já chegou aí a PO 29? Enviei para as três moradas.

Estamos a preparar um pequeno manifesto para o 25 Abril / 1º Maio e um encontro do pessoal. Também pensamos fazer uma assembleia em meados de Junho, será possível contar com a tua presença?

Em breve te escrevo com mais vagar. Um abraço

Carta a MV (26)

5/6/1991

M:

Tens razão, estou bravo contigo e vou cortar todas as relações: fizeste-me outra vez a partida de passar por cá e não me passar cartão. Só tens uma desculpa, foi essa das três frentes de combate simultâneas. £ pesado para qualquer um. Da próxima, tens denúncia pública na P.O. como “elemento suspeito anarco-trotskizante”, pelo menos. O “Albatroz” está mais sumarento que os anteriores e mais politizado, pareceu-me. Fiz uma nota à pressa na última P.O. (põe-te alerta, deve estar aí a chegar!), hão conheço nada dos meios da esquerda real aí de Paris, mas parece-me que o “Albatroz” se po­de tornar um ponto de encontro de sensibilidades variadas, convivendo aí em boa paz. Pelo menos não há dúvida de que te tornaste mais atrevido nos teus contactos; agora já preparas uma colaboração do Bettelheim! Oxalá a distribuidora (…) faça alguma coisa pela revista aqui, criar um certo público aqui na parvónia seria um apoio para ter a continuidade assegurada. Nos meios da imigração por­tuguesa aí, calculo que não tenha saída, até pela pouca colaboração sobre temas que lhes digam directamente respeito. A minha colabora­ção, diz-me para quando será precisa; por acaso fiz para a P.O. um comentário justamente sobre o Papa e a religião, mas não impede que escreva outro, num registo um pouco diferente.

Esteve cá o V: interrogámo-lo sobre a saída do “Albatroz” mas ele, sempre sem querer fazer críticas, foi dizendo que tu monopolizas muito a condução das coisas. Deve ter uma parte de razão porque tu mesmo o reconheces na tua carta. A outra parte, que ele não diz, é a falta de genica dele para trabalhos desses. Só mes­mo leninistas-stalinistas-maoístas-enveristas-kimilsunguistas como nós são capazes de fazer revistas subversivas num tempo destes.

A P.O. vai na mesma, apenas um pouco mais aberta também nas colaborações,o que não nos faz mal nenhum. Romper o cerco, é a palavra de ordem do presidente Mao. Ou melhor: combinar a guerra de subterrâneos com umas sortidas fulminantes para desorientar o inimigo! Agora vamos entrar na pausa de férias e eu vou aproveitar para trabalhar dois artigos que tenho andado a adiar por falta de tempo mas que tocam em pontos sensíveis: 1) Será que o descalabro do Leste prova que os anarquistas tinham alguma razão e que o Lenine era um autoritário e o próprio Marx teria aberto a porta ao triunfo dos burocratas? 2) Será que a evolução económico-social contemporânea está a dar o golpe de misericórdia na teoria da hegemonia operária e da dita­dura do proletariado?

Atrevimento não me falta, como vês e o pior é que neste momento não faço ainda bem ideia de como responder a estas ideias. Ando a ler e a meditar, vamos a ver se daqui até Setembro não me embaraço em interrogações. Fora disto, agito-me em remorsos cíclicos por não avançar com o tão falado li­vro sobre o PCP e, como já é costume, todos os anos à entrada do Verão ponho-me a pensar que talvez tivesse tempo para…

De resto, cá vamos. O núcleo da P.O., depois de ter mirrado a olhos vistos, parece ter-se consolidado na sua travessia do deserto. Até quando? Financeiramente, acho que vamos sobrevivendo, com menos angústias do que antes.

Escreveu-nos o Paul, da “Voie Prolétarienne”, dizendo que está traduzir para francês a “Resposta aos comunistas americanos”. Tens contacto com ele? Seria bom fazermos um suplemento com este artigo e tu distribuíres aí pela tua lista de possíveis interessados.

Óptimo pela cassete do filme da Intifada, estamos a pensar numa sessão pública de aniversário lá para fins de Setembro e seria interessante. Piquei chateadíssimo com es­sa de se ter perdido o livro de Las Casas, a etiqueta ia co­lada, o que deve haver é muitos roubos nos correios aí em França. Agora não tenho nenhum outro exemplar para te man­dar mas vou pedir ao editor. Andamos a animar uma comissão contra a histeria nacionalista em torno dos Descobrimentos, contra o “regresso a África” (palavras do presidente Boche­chas) e contra a exploração dos imigrantes africanos e o racismo. Vamos a ver se singra. Depois mando-te os papéis que houver.

Quanto à eleição do Tomé na lista da CDU, em lugar cedido pelo PCP, sem comentários… O Pires deu uma entrevista ao “Expresso” justificando o acordo porque o PCP mudou, embora ainda não saiba que mudou! Autêntico! Eu a pensar que o tipo tinha entrado em depressão e eis que aí apa­rece o velho Pires todo risonho e optimista. Sou mesmo ingénuo!

Esta folha em que escrevo acabou. Não deves dinheiro nenhum à Ana. Um abraço

 

Cartas a AV – 1

Francisco Martins Rodrigues

Carta a AV (1)

8/4/1986

Camarada,

Recebemos a tua carta de 5 de Março, da qual tomámos a liberdade de retirar alguns extractos que publicaremos na nossa PO  nº 4 a sair nesta semana.

Esperemos que tenhas recebido com agrado a PO nº 1 e 2 e o “Anti-Dimitrov”, que temos muito gosto em te oferecer.

Foi pena que, no encontro que um nosso camarada teve contigo, não se tivessem abordado as questões levantadas na tua carta. Quanto aos “desabafos” da tua carta, pensamos que são interrogações justas e realistas. Também nós procuramos dar respostas a todos esses problemas, e é sempre com prazer que verificamos que os temas que abordamos na revista encontram eco em alguns leitores. Embo­ra a situação seja preocupante, o nosso objectivo é procurar um caminho revolu­cionário que nos aponte saídas para furarmos as tais “campanhas de cerco e ani­quilamento” .

Gostaríamos de manter contacto contigo, por carta ou pessoal, sempre que possível. Entretanto, sugerimos-te que colabores com a PO, enviando-nos ou peque­nos artigos sobre qualquer tema político que te interesse, ou notícias, opini­ões, entrevistas que possas recolher aí relativamente ao movimento operário – sobre empresas, acção sindical ou qualquer outro assunto que esteja adequado à nossa revista.

Esperemos que quando tiveres emprego, possas fazer uma assinatura da revis­ta, que passarás a receber em casa.

Aguardando notícias tuas, enviamos-te as nossas saudações,

Carta a AV (2)

22/9/1988

Caro Amigo:

Em resposta ao teu pedido de 19 do cor­rente, enviamos-te nesta data os 4 exemplares que pediste da PO. Poderás fazer o pagamento por meio de vale postal dirigido ao nosso Apartado.

Ainda bem que vês interesse nos assuntos que discutimos na revista. A partir do próximo número (Outubro) introduzimos várias alterações que esperamos que a tornem mais interessante e acessível. Também reduzimos substancialmente o preço. Diz-nos o que te parece.

Com as nossas melhores saudações

Carta a AV (3)

2/5/1989

 Por lapso da nossa parte, a tua assinatura foi registada mas falhou o envio do nº 18.

Mando-te agora juntamente com o nº 19, com as nossas desculpas. Mando também alguns papéis da FER para te dar uma ideia, fizemos um comí­cio de apresentação na Voz do Operário e par­ticipámos com faixas próprias no 1º de Maio.

Por enquanto a Frente ainda está muito limitada às forças dos 3 grupos constituintes. Se tive­res oportunidade de distribuir propaganda em Coimbra ou Viseu será uma boa ajuda a divulgar a existência desta frente. Diz que quantidade de manifestos da FER te podemos enviar (vai sair um manifesto pela a lista de candidatos, em gran­de tiragem). Sempre que puderes manda-nos in­formações. Um abraço

PS – Mando junto um abaixo-assinado de apoio à FER. Se puderes recolhe assinaturas.

 Carta a AV (4)

14/6/1989

Caro Camarada:

Deves estar confuso com as notícias so­bre a nossa desistência da FER. Pela PO 20, que receberás dentro de dias, ficarás informa­do do que aconteceu. Estávamos há semanas à beira da ruptura e tentámos evitá-la por todos os meios mas os elementos da LST são desleais e não respeitaram os acordos que tínhamos as­sinado cm Março. Estavam a dar um tom modera­do e pouco sério à campanha e a impedir-nos de expor uma posição radical, conforme fora acor­dado. Queriam servir-se do nosso apoio para lançar o seu novo “partido” trotskista e apresentar as suas ideias. Pensamos que errá­mos ao ter entrado nesta frente sem garantias suficientes. Sabemos que esta crise causa des­crédito à esquerda mas não esteve na nossa mão evitar. Continuaremos o nosso trabalho em defesa das posições revolucionárias comunistas.

Esperando contar sempre com o teu apoio, aceita um abraço

Carta a AV (5)

1/8/1989

Caro Camarada:

Com algum atraso, devido a férias, res­pondo à tua carta de 6/7. Gosto sempre de rece­ber notícias e comentários teus e alguns, como tens visto, têm sido publicados.

Quanto ao MRI – Movimento Revolucionário Internacionalista, recebemos a sua revista em inglês e enviamos-lhes a P.O. em troca. São uma corrente maoísta, cu,jos principais partidos são o P. Com. Revol. dos EUA e o PC do Peru (Sendero Luminoso). Também temos várias publicações do PC do Peru, e uma longa declaração do seu diri­gente, o Presidente Gonzalo.

O mal desta corrente ê recusar-se a ana­lisar as causas da derrota da revolução chinesa e não fazer um balanço ao que o maoísmo teve de positivo e de negativo. Julgo que podem conse­guir algum êxito em países onde haja guerrilha camponesa (caso do Peru) mas não têm respostas para o movimento operário internacional. O futu­ro do comunismo não passa por ali. Caso estejas interessado, poderei ceder-te algum texto para leitura. Estamos a estudar novos temas para Outubro.

Um abraço

 Carta a AV (6)

10/10/1989

Caro Camarada:

Seguiu numa encomenda separada:

  • entrevista de Gonzalo (Peru)
  • revista do movimento maoísta internacional
  • PO 21 (tua assinatura)
  • PO 21 (10 exemplares)

Estes 10 exemplares destinam-se ao seguinte, caso estejas de acordo: ires colocar em duas livra­rias ou bancas de jornais aí (5 cada). Como tivemos que desistir da distribuição comercial porque não estava a dar resultado, lembrei-me de te fazer este pedido, dado o interesse e apoio que tens dado à revista. Mando juntas guias de remessa com indicação do desconto que fazemos (25%, o vendedor ganha 25$00 por cada revista).

Caso não possas fazer isto, agradeço que de­volvas os exemplares quando devolveres o folheto de Gonzalo e a revista americana (são exemplares únicos de nossa biblioteca). Fico aguardando as tuas notícias e a opinião sobre a PO. São bons os recortes ou comentários como tens feito. Saudações

 Carta a AV (7)

20/2/1990

Caro Camarada:

Tenho recebido as tuas cartas (a última foi a de 7/2 cem o cheque) mas não tenho respondido por demasiados afazeres. Peço que me desculpes, registámos a renovação da tua assinatura por 9 números e os 100$00 excedentes como apoio à revista.

Sempre que possas, manda as tuas informações e recortes, pois como tens visto têm sido aproveitados. Fizemos no dia 20/1 um debate alargado sobre as evoluções do revisionismo e estamos a ten­tar avançar mais ideias sobre o tema. Diz o que te pareceram os artigos da PO nº 23. Decidimos também editar um livro a curto prazo (?) em torno da crise do PCP, que vem confirmar o que os marxistas-leninistas diziam sobre a convergência entre o revisionis­mo e a social-democracia.

Recebemos a devolução dos materiais que te tínhamos enviado. Aceita as nossas saudações

 Carta a AV (8)

3/5/1990

Caro Camarada:

Agradecemos as tuas palavras de apoio que são para nós um estímulo a continuar a difícil tarefa de manter a “P.O.” em publicação regular.

Quanto ao teu pedido de materiais dos gru­pos e partidos pró-albaneses, estamos muito mal abastecidos. Vamos enviar-te uma série de números do “Vanguardia Obrera”, que é o único que recebe­mos com regularidade. Como publicam sempre extractos dos partidos irmãos deles (Albânia, Brasil, Equador, Colômbia, França, Dinamarca, etc.) permite teres uma ideia do que se diz por essas bandas. Para já, temos observado, também pelo “Bandeira Vermelha”, que são muito discretos quanto à der­rocada do Leste, dando a ideia de que se sentem confusos. Há também sinais de uma aproximação tí­mida aos revisionistas “duros”, como Fidel. Enfim, tu farás e tua análise. Pedimos que depois devolvas como da outra vez, visto que são exemplares únicos de arquivo. Um abraço e desejos de bom trabalho

 Carta a AV (9)

31/5/1991

Caro Camarada:

Houve bastantes respostas ao inquérito sobre a UDP, algumas extensas, de modo que depois de encher duas páginas da P.O. tivemos que guardar algumas para o próximo número. Ê o caso da tua, que foi das últimas a chegar. Espero que compreendas.

A próxima P.O. sairá depois das férias, em fins de Setembro, antes das eleições, portanto. O inquérito continuará a ter cabimento.

Hecebemos as tuas cartas de 5 e 25 de Março e publicámos algumas das tuas informações.

Por favor continua a mandar notas e comentários.

Neste momento estamos a colaborar com algumas pessoas no lançamento duma campanha de desmistificação dos Descobrimentos e anti-racista, vai sair um texto no 10 de Junho e vai-se fazer uma exposição de rua, depois mando-te cópias.

Um abraço

 Carta a AV (10)

26/8/1991

 Caro Camarada:

 Julgo que terás recebido a nossa carta de 31 de Maio. O teu depoimento sobre a UDP na CDU sairá na próxima PO; se por acaso lhe pretendesses introduzir quaisquer actualizações ainda ia a tempo, mas já está pronto para a im­pressão. Só falta (e é este o motivo desta carta) uma fotografia tua. Como identificação do teu nome pensamos pôr “foi activista de grupos marxistas-leninistas”, uma vez que nunca aderiste à UDP.

Está bem assim? Também gostaríamos de ter alguma correspondência tua para publicar sobre questões laborais ou de política local, etc. Pode ser?

Temos previsto um encontro para de­bate político para sábado dia 21 Setembro. Poderemos contar com a tua presença? Depois enviamos notas para discussão mas para já gostaríamos de saber se te é possível vir a Lisboa, assim como a fotografia logo que possível. Um abraço

 

Cartas a AL

Francisco Martins Rodrigues

Carta a AL (1)

31/5/1991

 Caro Camarada:

Houve bastantes respostas ao inquérito sobre a UDP[i], algumas extensas, de modo que depois de encher duas páginas da P.O. tivemos que guar­dar algumas para o próximo número.

É o caso da tua, que foi uma das últimas a chegar. Espero que compreendas. Como a próxima P.O. sairá em fins de Setembro, antes das eleições, portanto, ainda irá a tempo a continuação do inquérito. Continuar a ler