Carta ao CMLP no exterior

Francisco Martins Rodrigues

Lisboa, 27/1/1966

Camaradas:

Recebemos a carta 1/66 e os fundos que indicam. Estamos a tratar de levantar a encomenda na morada indicada. Aproveitamos este portador para tratar detalhadamente algumas questões urgentes.

Linha geral – Consideramos que há que continuar a intensificar a acção prática iniciada pela FAP nos últimos meses (GAPs, agitação, imprensa, etc.), mas sobrepondo-lhe  o trabalho directo para a reconstituição do Partido. Verificámos numa reunião recente do organismo dirigente que as dificuldades e exigências práticas do dia-a-dia nos podem levar a uma certa forma de oportunismo, deixando sempre para segundo plano as tarefas que não se impõem com tanta agudeza no plano táctico mas que são estrategicamente as principais, como é o caso do Partido.

Resolvemos por isso lançar uma campanha junto de todos os camaradas comunistas ligados ao Comité, para um grande esforço no decurso dos próximos 3-4 meses, culminando na reconstituição final do Partido. Todos os camaradas comunistas, no interior ou no exterior, devem ser chamados a colaborar nesta campanha e a trabalhar mais intensamente, com mais firmeza e decisão, para tornar possível a reconstituição do Partido. Esta campanha deve ser discutida, não de forma aberta mas de forma secreta, junto dos camaradas ligados ao Comité, fixando-se as tarefas teóricas e práticas de cada um, exigindo de cada um que leve à prática as tarefas de que se encarregar. Indicamos a seguir algumas tarefas principais:

Trabalho teórico – É preciso completar, elaborar rapidamente as bases programátivos do PCP(ml), apressar o trabalho que, devido às nossas dificuldades, se tem arrastado ao longo dos últimos dois anos. Esse trabalho recai sobretudo no organismo de direcção central, que se responsabilizou por elaborar a curto prazo os seguintes documentos:

– Projecto de Programa do PCP (ml)

– Projecto de Estatutos

– Crítica ao “Rumo..:” (partes 2ª e 3ª)

– Apontamentos para um curso elementar

Além destes, estão a ser discutidos outros temas par artigos no RP[i] como “O fascismo salazarista é um tigre de papel”, “Campanha de educação de quadros comunistas”, “Por que é preciso lutar contra o revisionismo”, etc. Está já elaborado um projecto, em discussão, de Manifesto do novo movimento dos estudantes revolucionários. De todos estes documentos, serão enviadas cópias para o Comité exterior discutir.

 Neste campo, pensamos que há graves falhas no nosso trabalho no interior (absorvemo-nos com a defesa e as tarefas práticas) e também no exterior (subestimação da teoria e um certo rotineirismo, segundo cremos). Já criticámos em cartas anteriores a quase nula participação do Com. Exterior no trabalho teórico. Vamos detalhar os pontos que nos parecem principais:

  • Não temos conhecimento de nenhumas discussões sobre questões teóricas, de debates, de pequenos cursos; perguntamos: que vida política têm os organismos comunistas aí existentes?
  • Não nos foi enviada de há bastantes meses para cá nenhuma crítica, sugestão ou observação aos materiais por nós enviados; têm sido estudados?
  • Não conhecemos que nenhum camarada esteja a trabalhar em nenhum tema para um artigo, quando há questões que a nós é muito difícil tratar e seria de esperar que fossem aí estudados, como: a situação no movimento comunista internacional, análise às linhas partidos revisionistas, situação na URSS, Jugoslávia, o trotskismo, etc., etc.
  • A questão dos folhetos não parece avançar ao fim de tantos meses e as vossas referência são mais que vagas: estão ou não a imprimir os textos de Lio Chao Chi e de Staline? A tipografia já tem os caracteres portugueses que lhe faltavam? Que foi feito dos dois folhetos que Frederico aí deixou traduzidos sobre o 8º congresso da Liga Comunista Jugoslava e a Europa prenhe de revisionismo para saírem nas edições de Tirana? Há mais exemplares dos folhetos chineses recentes de que só recebemos meia dúzia, como “A experiência histórica da guerra antifascista”?

Pedimos respostas concretas, detalhadas, e não vagas a estas questões para sabermos quais são as dificuldades e com o que podemos contar. Assim, é impossível fazer uma análise ao trabalho do Comité Exterior, porque não sabemos se se trata de reais dificuldades ou só descuramento das tarefas.

Eis o que esperamos de vós, no campo teórico, nos próximos 3-4 meses:

  • Relatos, mesmo em apontamento manuscrito, de discussões e debates sobre a linha por nós seguida, a situação nacional e internacional, o movimento comunista, etc.
  • Projectos de artigos elaborados aí, sobre quaisquer temas, mas sobretudo os que indicamos na alínea c)
  • Apontamentos do curso que temos projectado organizar
  • Estatutos de diversos partidos marxistas-leninistas e revisionistas, sobretudo dos que se encontrem na legalidade (muito urgente)
  • Resposta clara sobre as perspectivas e prazos de edição de folhetos impessos. Lio Chao Chi, Staline
  • Formação de uma pequena comissão para preparar traduções de textos marxistas fundamentais, tornando-os acessíveis aos operários. Enviaremos em breve edições brasileiras do “Manifesto Comunista” e do “Trabalho assalariado e capital”, para serem comparadas com edições francesas e se estabelecer um texto definitivo.
  • Formação de uma pequena comissão para redigir um texto condensado de “O Estado e a Revolução” de Lenine, em versão acessível aos nossos operários. Trabalho para alguns meses, cujo projecto deve ser enviado à direcção central antes de ser editado.
  • Incluir os folhetos mencionados nos pontos (5), (6) e (7) numa colecção com o título “Cadernos Revolução Popular” nº – e a indicação: edições “O Comunista” – PCP(ml), como indicamos num esboço junto. Numerar os cadernos à medida que saírem. As dimensões devem ser mais ou menos 15 x 11 cms e a impressão em corpo 7 ou mesmo 6, se for nítido, 24-36 páginas.
  • Obter e enviar para cá o artigo de Lenine “As centúrias negras e a organização da insurreição”, de Agosto de 1905; enviar o discurso de Staline na sessão inaugural do 19º congresso do PCUS (1952) (vem no Avante); enviar o folheto “A revolução permanente na China”, ou extractos dos principais artigos nele incluídos (V. Godinho tem este folheto), já foi pedido há tempo sem resposta
  • Enviar em quantidade folhetos chineses (sobretudo os 25 pontos, resposta à carta aberta do PCUS, Uma vez mais sobre as divergências entre o camarada Togliatti e nós, etc.), folhetos albaneses (são aqui praticamente desconhecidos), obras de Mao Tsé-tung, Lenine, etc.
  • Enviar uma lista dos livros e principais folhetos que formam a biblioteca do Partido no exterior. Lembramos os volumes das Obras Completas de Lenine que Edmundo pôs em Abílio, outras obras de Edmundo, Violeta, Bruno, etc. Juntar indicações que ajudem a localizar o conteúdo (por exemplo, a que anos se refere cada um dos volumes de Lenine).

Agitprop – A necessidade de intensificarmos o trabalho teórico com vistas à rápida reconstituição do Partido leva-nos a rever a organização do aparelho de agitprop, para uma maior eficiência e rapidez. Assim, resolvemos que o boletim “Revolução Popular”, órgão do CMLP, passará a ser editado copiografado no interior, para garantir a saída de 3-4 números nos próximos 3-4 meses, até à dissolução do Comité. A experiência dos últimos 8 meses mostrou que é utópico por agora pretender assegurar a regularidade do boletim, fazendo sair daqui os artigos e entrar o material impresso. A apresentação será sem dúvida pior mas a experiência com o suplemento ao RP5 mostrou-nos que os materiais que interessam circulam, apesar da má apresentação gráfica. Entretanto, continuamos a trabalhar para conseguir melhores condições técnicas.

Em que consiste o vosso trabalho, neste campo, a partir de agora?

  • Editar os folhetos da colecção “Revolução Popular” e fazê-los entrar
  • Editar o bulletin de presse que supomos continua paralisado (ver a boîte postale de Roterdão que fora obtida)
  • Editar o boletim copiografado “Duas vias”, de que seguirão em breve exemplares do nº 1 e 2 (Janeiro e Fevereiro) e fazê-lo entrar
  • Distribuir internacionalmente a nossa imprensa e o bulletin de presse (mandaremos em breve mais exemplares do AP6 e 7; digam se receberam uma embalagem de AP7, enviada cerca de 15-1 para V. Godinho)
  • Muito importante: Averiguar sobre processos de reprodução de cópias que substituam a tipografia e mandar-nos informações. Propomos que se vá à casa editora do RP mostrar os APs aqui feitos e pedir indicações concretas: por exemplo, se conseguirmos reduzir por meios fotográficos um texto dactilografado e o impressionarmos numa chapa de zinco, é possível a partir daí fazer uma tiragem num prelo plano?

Ainda neste ponto, pedimos que suspendam por agora a compra do prelo, caso ainda não a tenham feito, até decidirmos aqui o melhor caminho

Ainda sobre o RP copiografado – Uma vez que melhorem as condições financeiras, como se prevê, o vosso Comité encarregar-se-á de reproduzir aí em offset os exemplares copiografados que daqui serão enviados, fazendo uma tiragem de 300-400 (nº provisório a confirmar depois), distribuindo uma parte e guardando o resto como reserva.

– Precisamos de 100 exemplares do RP3 e 50 dos outros publicados; do nº 6, mandar só 200, por agora.

Quadros – A seguir ao trabalho teórico, é a questão onde é preciso fazer um maior esforço para tornar possível a reconstituição do Partido e assegurar o seu crescimento. Há enormes deficiências que não temos conseguido ultrapassar. Surgem boas vontades, entusiasmos, interesse, mas não quadros comunistas porque esses não se improvisam, demoram anos a educar, teórica e praticamente.

No interior, o nosso esforço neste campo vai dirigir-se para a continuação e aperfeiçoamento dos cursos elementares, que já funcionaram no ano passado, para uma maior ligação entre a teoria e a prática, para um esforço no sentido da elevação das discussões, tornando-as mais concretas, ligando-as à prática da luta, activando a luta de ideias. Há ainda muito idealismo na cabeça dos camaradas que se dizem ou julgam marxistas-leninistas.

No exterior, parece-nos haver deficiências muito graves pelo que nos apercebemos,, sobretudo a dificuldade de encontrar militantes dispostos a vir para a frente de combate, que é no interior. É caso para perguntar: para que existe uma secção exterior dum partido comunista clandestino, se não consegue formar um mínimo de quadros? Parece-nos que o problema deve ser encarado de frente por vós, a partir de cima para baixo, encarando sem receio este facto: um militante comunista português não pode ser aquele que só está disposto a actuar na emigração, longe da ameaça da ditadura que oprime o nosso povo. Em Inglaterra ou na França, pode ser-se hoje comunista sem correr grandes riscos; mas em Portugal, para se ter direito ao nome honroso de militante comunista tem que se estar disposto a correr os riscos que comporta a actividade no país contra a ditadura; caso contrário, pode ser-se um antifascista, um simpatizante do comunismo, mas não um militante comunista.

Temos vindo a insistir nos últimos meses sobre a necessidade de serem transferidos alguns camaradas, mas as vossas respostas a este assunto são vagas e evasivas (nem sequer se referem à nossa proposta sobre o Jorge de Nantes); na carta 1/66 alegam que as notícias das prisões têm provocado “um certo retraimento” nos quadros em vistas de transferência. É preciso tornar claro que, se um camarada vem militar numa actividade clandestina como a nossa, está naturalmente sujeito à prisão e a ser assassinado. Quem julgar que vem para cá em condições de segurança total e fica espantado com as prisões, é melhor desistir, porque só poderá vir cá causar maiores dificuldades. Precisamos de camaradas dispostos a arriscar a vida e a liberdade para implantarem o Partido no interior do país; uma vez cá dentro, serão defendidos, mas se forem presos, o que é natural, têm que encarar isso de frente e não julgar que o Partido acaba com eles. Perguntamos: os camaradas Alfredo, Júlio e Jorge de Nantes estão dispostos a arriscar-se conscientemente pela tarefa da reconstrução do Partido? Se não estão, devem dizê-lo agora para não nos causarem problemas mais tarde. O que pensam os outros camaradas do Comité Exterior sobre isto? Como encara Lemos o problema actualmente? Há alguém realmente disposto e capaz de vir ajudar os camaradas que estão na clandestinidade? Temos o direito de exigir uma resposta clara e sem subterfúgios a esta questão.

Parece-nos mesmo que o trabalho no exterior não poderá tornar-se realmente revolucionário, vigoroso, enquanto não forem vencidas as reticências e hesitações com que os camaradas mais responsáveis aí encaram a sua participação na luta e nos riscos. Como pode falar-se, num caso destes, em educação comunista, em formação de quadros, em estilo novo, quando por detrás de todas as discussões teóricas há o receio dos camaradas em virem lutar no país? O exemplo dos camaradas que vieram para o interior, de J. Pulido, Capilé e outros menos destacados que já foram presos, depois de darem uma contribuição preciosa à grande tarefa da reconstituição do Partido, deve inspirar todos os camaradas que queiram vir a ser militantes dos PCP(ml) a vencerem os seus receios, o seu individualismo e a darem um passo em frente. Já pensaram os camaradas do Comité Exterior que qualquer simpatizante no interior enfrenta mais riscos do que os elementos responsáveis no exterior? Já pensaram que isso enfraquece o trabalho político, a não ser que os camaradas se disponham a enfrentar os riscos quando necessário?

Este é, quanto a nós, o problema de fundo que há que encarar corajosamente e sem subterfúgios, se queremos encetar no exterior um trabalho de formação de quadros. O critério a usar na escolha dos camaradas para tarefas responsáveis deve ser o da combinação de três factores fundamentais:

                1 . base teórica mínima marxista-leninista

2. disposição de enfrentar o inimigo e garantias de firmeza

3. capacidade de trabalho prático.  

Os camaradas que tenham qualidades só num ou só em dois destes aspectos e falhem totalmente no outro não podem ter uma base equilibrada como militantes. Aqueles que tiverem um pouco de cada um são os que devem ser promovidos às principais responsabilidades.

Como medidas práticas imediatas para o exterior, decidimos

  • Caso se confirme a melhoria da situação financeira, funcionalizar um camarada do Comité Exterior, de modo a que assegure o andamento das tarefas que têm estado paralisadas. Esse camarada só pode ser, segundo julgamos, Lemos, mas aguardamos a opinião do Comité Exterior, caso não esteja de acordo. Caso não haja divergências, a medida deve ser levada à prática assim que se confirme a questão financeira. Este camarada fará um trabalho de secretário do Comité Exterior mas não ganhará maiores responsabilidades que os outros, as decisões continuarão como até agora a caber ao Comité Exterior, não se trata de nomear um controleiro para o exterior.
  • Caso Américo – de acordo com a suspensão decidida. A “autocrítica” de Américo não convence e parece-nos má: ele reconhece os erros (em palavras) e resolve pôr-se à margem!! O que se lhe tem que exigir, para acreditarmos na sinceridade da autocrítica, é que ele redobre de esforços na actividade teórica e prática, na associação operária, no estudo, etc., para corrigir os seus vícios de anarquista e mostrar que merece o levantamento da suspensão. Se ele ficar de braços cruzados, como sabemos que rectificou realmente os seus erros? Parece-nos que esta opinião nossa lhe deve ser transmitida e interessa-nos saber a resposta dele, saber se vai de facto trabalhar, mais do que antes, para acompanharmos a sua evolução. Parece-nos também que um caso destes não deve ser arrumado assim e que é preciso que o Comité Exterior analise a desmoralização que parece revelar este elemento; como chegou ele a este estado? Porque recua ele em vez de avançar? Não há só o caso individual do Américo, mas o caso colectivo do Comité Exterior, do seu trabalho.
  • Para elaborar planos com vistas à reconstituição do Partido, precisamos saber quem são na actualidade os elementos considerados comunistas, candidatos a membros do Partido. Dêm-nos uma lista, com a respectiva justificação, caso por caso.
  • Tomámos nota quanto à rectificação da despesa do Jaime com o livro de cheques; há que insistir com ele em que a base para uma futura recuperação é pagar o dinheiro roubado, todos os esforços que ele faça noutros campos não podem apagar esta questão; o ponto mais fraco dele foi a incapacidade de enfrentar as suas responsabilidades, de trabalhar e ganhar a sua vida; é aí que queremos provas da sua recuperação.
  • Problema dos elementos influenciados pelo trotskismo – é uma ameaça real que há que ter presente, não nos iludindo com declarações de boa vontade; a tendência trotskista existe, mesmo até inconsciente, e procura nesta fase infiltrar-se em nós e apoiar-se na nossa organização. É preciso dar-lhe batalha diária, sobretudo no exterior onde ela é mais viva. É claro que temos que olhar mais para aqueles elementos que, no passado, manifestaram tendência para cair nessa corrente: esses são os casos de Telhado e A. Henriques e por isso insistimos com eles. Telhado esteve presente numa reunião trotskista, segundo informação de Hugo a Sebastião. Não se duvida das boas intenções e da seriedade de Telhado e A. Henriques; pode ser-se boa pessoa, pode desejar-se ser comunista, mas apesar de tudo verem-se as coisas numa perspectiva trotskista. Insistimos por isso em alertar contra quaisquer precipitações na promoção destes dois elementos, em ajudá-los a libertar-se das deformações trotskistas que de certeza não se evaporaram dum dia para o outro.

De acordo em que Hugo, Violeta, Júlio e outros possam ter tido ou tenham pontos de vista trotskistas. Isso não significa que dantes se recebia tudo o que aparecia (ideia fixa de Hugo) mas que todos podem entrar se houver firme vigilância ideológica; essa é a questão em que insistimos.

  • Temos interesse em saber os nomes (em cifra) dos dois novos elementos que aí abandonaram o Partido revisionista. O que é feito de Valério?

Relações internacionais – Mais uma vez insistimos na necessidade de obter comunicações directas para Pequim. Há relações políticas? Esses camaradas estão a receber as nossas publicações? Há discussões? Parece-nos que o assunto é suficientemente importante para justificar um relatório sério, com elementos precisos.

 – Lembramos a necessidade de fazerem em calendário de aniversários importantes e mandarem saudações quando for caso disso; não esquecer a reorganização do PC Belga em Janeiro.

– Temos notado nas vossas referências ao PC Espanha uma certa animosidade em várias referências. A que se deve? Não estará a forçar entre os camaradas portugueses e espanhóis um mau espírito de competição? Cuidado com o espírito de seita, impróprio de comunistas. Valorizar o que há de bom nos camaradas espanhóis, em vez de acentuar os defeitos.

– Uma pessoa que cá esteve garantiu que os marxistas-leninistas franceses votaram no de Gaulle. Parece-nos impossível, mas pedimos esclarecimentos.

– Pedimos informações sérias, comentários sobre o movimento comunista, eventuais trocas de pontos de vista. Recebemos um documento sobre a guerrilha na Venezuela, com interesse, não poderia ser obtido por vós?

Questões técnicas – Parece-nos talvez o ponto que deve ser posto em segundo lugar, quanto à gravidade das deficiências no exterior, após o dos quadros. Ficamos preocupados com a falta de resposta clara aos nossos pedidos em questões urgentíssimas.

Amostras – Por que é preciso um funcionário para tratar deste assunto? Não podemos esperar mais dois meses para saber se Raul obtém ou não qualquer coisa. Precisamos de amostras urgentemente! Precisamos que se comprem livros de caixa ou que nos digam que não se pode contar com coisa nenhuma, para orientarmos o trabalho noutro sentido.

Livros de cheques – Está em estado de ser utilizado? Há pessoa que utilize? Em que data se pode contar com ele? Como explica o Comité Exterior que, ao fim de tantos meses, não haja nenhuma resolução deste assunto?

Ligações – Não devem utilizar Julião nem Ramiro. Henrique protestou contra o recebimento de coisas que mandara suspender e mal embaladas; não utilizem por agora. Margarida deve continuar a ser utilizada como até agora. Não abordamos o amigo de Sérgio por enquanto, aguardamos que o assunto esteja inteiramente claro. Também não abordaremos o arquitecto. Julgamos que compreendem as precauções de que temos que nos rodear para evitar maiores desastres.

Aguardamos o portador que vem ao sítio onde se dirigiu da outra vez o casal de Estrasburgo; comuniquem com a maior antecedência possível a data de encontro, para não haver falha. Não utilizem a morada indicada mais recentemente (o amigo de Hugo) porque está preso.

Envelopes timbrados – Digam-nos se podem fazer ou não, precisamos bastante de novos envelopes.

Prospectos – Pode comprar-se a máquina de que falaram? Imprime-se a cartolina? Respondam a esta questão.

Aperfeiçoador – O que há a este respeito? Fizeram algumas diligências?

  • Fundos – Esperamos com muito interesse a resolução das novas perspectivas financeiras de que falam. Pode ser decisivo para alargarmos o nosso trabalho.

– Transfiram em Fevereiro mais 1500 N.F. para Margarida.

– Para tomarmos decisões sobre o vosso sector (funcionário, etc.) precisamos que nos mandem um orçamento das vossas despesas mensais previstas, discriminando por assuntos: funcionário, despesas de imprensa, deslocações, despesas várias.

– O que significa a “transferência para Nantes” de 300 N.F. mencionados no vosso balancete?

Vários

– O que querem dizer os “assuntos comerciais ilícitos de Frederico em Estrasburgo”? Pedimos explicação

– Continuem a não confirmar nada sobre Edmundo e Sebastião

– Precisamos de informações sobre um Ferreira da Silva, ex-operário da CUF, que trabalha na Gulbenkian, considerado suspeito

– Houve prisões no partido revisionista: Rogério de Carvalho do CC; Dias de Deus, Carlos Miredores, etc. Parece haver casos de traições.

Terminamos. Pedimos que nos mandem uma carta detalhada sobre os assuntos pendentes.

Saudações

 


[i] Revolução Popular, órgão de imprensa do CMLP. (Nota de AB)

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