Cartas a JMA (2)

Francisco Martins Rodrigues

Carta a JMA – 3

22/10/1997

ASurpreendeu-nos muito desagradavelmente o seu fax de 10 do corrente. Como é possível que, ao fim de tantos anos de silêncio total da sua parte, nos venha agora reclamar a devolução da sala “com o recheio que lá estava”? É evidente que uma boa parte desse recheio, constituído por coisas velhas e imprestáveis, já não existe. Foi o caso do sofá, cujo valor estimativo desconhecíamos por completo. Se era para si importante, porque não nos avisou?

Ao dar-lhe conhecimento do abandono da sala, julgámos que Você compreenderia que era um gesto de cortesia da nossa parte, uma vez que a sala ainda está em seu nome. Mas não tendo Você dado, ao longo destes anos todos, nenhum sinal de continuar interessado na sala e no seu recheio, poderíamos ter simplesmente entregue a chave ao senhorio.

Para pôr termo a esta desagradável questão, vamos pagar a renda referente ao mês de Dezembro e deixamos na sala todos os objectos seus (cadeiras, aparelhos, livros, papéis) ainda existentes. Ficamos à espera que nos envie a partir de 10 de Novembro alguém credenciado a quem entregarmos as chaves e que nos reembolse do valor da renda de Dezembro, que vamos pagar apenas no seu interesse. O contacto deve ser feito pelos telefones (…) (a partir de 3 de Novembro).

Cumprimentos.

Carta a JMA – 4

20/12/1997

Caro A:

Acuso recepção do cheque na importância de 40.000$, junto com o seu bilhete de 4 do
corrente. Registámos a entrada de 34.000$ como apoio à revista e 6.000$ para uma assinatura por mais um ano.

Neste momento, retirámos todos os nossos pertences da sala e, na impossibilidade de transportar connosco tudo o que lá havia, deitámos fora bastante papelada antiga. Pedi à porteira para guardar as cadeiras, uma mesa, a prensa fotográfica e alguns outros objectos, dizendo ela que será só por algum tempo. Espero que entretanto Você possa cá estar e decidir o destino a dar-lhes.

A PO nº 62 seguiu há uma semana, julgo que já terá recebido. Esperando podermos falar de
viva voz brevemente, envio cumprimentos.

Carta a JMA – 5

22/2/1998

Caro Amigo:

Falei com a senhora do apartamento, que se dispôs a guardar as suas coisas por mais algum tempo sem cobrar qualquer renda. Fica à espera que diga qualquer coisa. Suponho que a esta hora já deve ter recebido a PO 63. Se tiver oportunidade de enviar algum comentário, notícias ou recortes de imprensa para o próximo número, agradeço que o faça até 20 de Março.

Sem outro assunto por agora, envio as minhas saudações e desejos de melhor saúde.

 

 

 

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