Cartas a MV – 39

Francisco Martins Rodrigues

Carta a MV (45)

18/10993

Caríssimo:

Seguiu há dias a P.O. (5 ex ), espero que a recebas em condições e que te agrade. Infelizmente, quando recebi a tua nova versão do Affreixo já a revista estava na tipografia, pelo que não foi possível voltar atrás com os ajeitamentos que eu próprio lhe tinha dado. Espero que não vá muito fora do que tu pretendias.

Recebemos também o teu desenho para a exposição do MAR, que esteve em bom lugar. Foi na Casa da Imprensa, ao Chiado, e durou nove dias, sendo visitada por um certo número de pessoas. Como acção de propaganda anti-racista valeu a pena, mas financeiramente saiu-nos cara porque não apareceram os compradores que esperávamos. Dizem os entendidos que o mercado da arte está parado por causa da crise. Assim ficou o MAR proprietário de uns 50 quadros e desenhos oferecidos por artistas, alguns de renome, e que ainda não sabemos como transformar em patacas. Temos em vista expor alguns num restaurante moçambicano aqui de Lisboa. Pode ser que noutra ocasião se
proporcione uma nova exposição, mas para já não nos metemos noutra: é coisa que dá
muito trabalho e sai cara. Tu deves saber disso, porque tens andado nesses meios.

Metemos o anúncio das edições Albatroz na P.O. 41. Uma dúvida: a distribuição em Portugal ainda é feita pelo (…)? Deve-se indicar isso no anúncio? Tencionamos meter um anúncio à revista Albatroz na próxima P.O., mas só se ela entretanto sair, como é lógico, e se tu nos pagares esse anúncio com um artigo, de tema à tua livre escolha – actualidade francesa ou portuguesa, imigrantes, reflexões
ideológicas…. Que dizes? Convém-nos tê-lo na mão até meados de Novembro.

A nossa opinião quanto à “paz dos bravos” na Palestina (como aqui lhe chamaram, enlevados, os jornalistas tansos e os espertos) coincide com a tua. Nesta época de derrocada geral da luta anti-imperialista, os magnates estimulam as capitulações rodeando-as de uma cor nobre e cobrindo de elogios os dirigentes que se ajoelham. Com o Mandela é o mesmo. Com o Fidel estão a ver se lhe dão a volta e se em vez de o derrubar conseguem pô-lo de gatas. Do ponto de vista da direita é muito mais rentável que os antigos inimigos se virem do avesso e se desacreditem do que serem derrubados pela força e ficarem com imagem de mártires.

Quanto à situação nacional, caminhamos para uma ardorosa batalha entre PS e PSD nas eleições autárquicas, prólogo para as do Parlamento Europeu e para as legislativas. Por enquanto, apesar do ambiente de crise que se acentua, acho que o Cavaco não está seriamente ameaçado, porque ainda ninguém lhe vê alternativa credível. Nas autarquias, claro, vão marcar pontos o PS e a CDU, mas essa é a vocação deles – gerir câmaras e freguesias. Das coisas importantes trata a direita.

Por agora é tudo. Obrigado pela foto da mãe e da filha. Abraços para todos vós

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